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Política pode ter impacto nos vencedores dos Óscares

Exibidos em 2012, ano eleitoral nos Estados Unidos, os os grandes favoritos da 83ª edição dos Óscares têm uma forte componente política que pode influenciar o caminho para a conquista dos prémios mais ambicionados de Hollywood.

Coincidência ou não, as críticas que defensores de um maior controlo sobre o porte de armas fizeram contra o sangrento «Django Libertado» e as discussões sobre as torturas feitas pela CIA, tema de «00:30 - Hora Negra», alimentaram calorosos debates políticos.

Mas o filme mais político a caminho da glória nos prémios da Academia no próximo domingo é «Lincoln», de Steven Spielberg, elogiado pelo ex-presidente americano Bill Clinton durante uma aparição surpresa nos Globos de Ouro, em janeiro passado.

Clinton usou o embate político por Lincoln no filme para fazer alusão ao confronto atual entre democratas e republicanos.

«Uma dura batalha para aprovar uma lei numa câmara de representantes muito dividida», disse Clinton. «Para ganhar, o presidente precisou de chegar a muitos acordos desagradáveis... eu não sei nada disso», ironizou.

Em «Lincoln», o 16º presidente americano procura o apoio do Congresso para implementar a 13ª emenda constitucional, que pôs fim à escravatura nos EUA.

O filme chega à 85ª edição dos prémios da Academia com a maior quantidade de nomeações (12). Mesmo assim - e com o ilustre apoio de Clinton - não tem vitória garantida na cerimónia, que se tornou a mais imprevisível dos últimos tempos.

Já o thriller político «Argo», que conquistou quase todos os prémios da temporada, conta a história de como a CIA, com a ajuda de Hollywood, resgatou seis diplomatas americanos escondidos na embaixada do Canadá em Teerão durante a revolução iraniana de 1979.

O desastre diplomático dos Estados Unidos poderia ter decidido definitivamente o destino do então presidente democrata Jimmy Carter.

Lembrar os eleitores americanos deste episódio talvez não tenha ajudado os democratas no ano passado, já que o filme foca a audácia do corpo operacional da CIA e salva a pele do presidente Carter.

Um filme nomeado que definitivamente ajudou a imagem de Obama foi «00:30 - Hora Negra», a história de Kathryn Bigelow sobre os 10 anos que os EUA passaram na perseguição a Osama Bin Laden.

Na verdade, o risco de que fosse considerado propaganda política era tanto (o clímax passa-se no maior trunfo militar de Obama: a emboscada ao esconderijo de Bin Laden no Paquistão), que o filme só estreou a 6 de novembro, depois das eleições presidenciais.

A fita também gerou um caloroso debate sobre a descrição que faz das «técnicas melhoradas de interrogatório» - ou tortura - e especificamente sobre o papel desempenhado por elas na descoberta de Bin Laden.

O chefe da CIA e muitos congressistas criticaram o filme por fazer crer que a tortura foi a chave para chegar até Bin Laden, acusação que a realizadora desmentiu repetidas vezes.

«Acredito que Osama Bin Laden foi encontrado graças a um engenhoso trabalho de investigação. A tortura foi, contudo, e como todos nós sabemos, usada durante os primeiros anos desta busca. Isso não significa que tenha sido fundamental», afirmou Kathryn Bigelow.

O debate pode ter diminuído as possibilidades de o filme ganhar o Óscar de melhor filme, já que os membros da Academia podem oferecer alguma resistência a votar num filme tão político.

Mas não houve controvérsia maior do que a gerada por «Django Libertado», de Quentin Tarantino.

Com o toque pessoal do cineasta, o filme sobre um escravo libertado por um caçador de recompensas nos anos que antecederam a Guerra Civil mostra quase três horas de caos sangrento.

Dias antes da estreia, o massacre de 20 crianças numa escola da cidade de Newtown, no Connecticut, levou os americanos a debaterem novamente o tema da violência no cinema, o que levou Tarantino a atrasar uma semana a estreia do filme.

O realizador Spike Lee qualificou o filme como «desrespeitoso». Várias «action figures» dos personagens do filme acabaram mesmo por ser retiradas do mercado.

Tarantino, que está habituado a defender a violência de seus filmes, disse à rádio NPR: «Sim, estou muito chateado. O filme não tem nada a ver com o massacre da escola», afirmou.

«Isto é um desrespeito à memória das crianças. O tema deve ser o controlo de armas e a saúde mental», disse Tarantino.

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