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Prémios Sophia refletem crise no cinema português

Apesar desse facto, há «uma movimentação interessante mínima», afirmou o presidente da Academia Portuguesa de Cinema, Paulo Trancoso.

Nas vésperas da terceira edição dos Prémios Sophia, criados pela Academia Portuguesa de Cinema para distinguir os protagonistas do cinema nacional, Paulo Trancoso afirmou que aquela organização acompanha os percalços do panorama cinematográfico português desde a criação, em 2011.

Nos últimos três anos, os apoios financeiros foram suspensos – e retomados este ano -, algumas produtoras faliram, outras procuraram investimento estrangeiro, o cinema português somou prémios internacionais e foi aprovada uma nova lei. «É fantástico como é que o cinema português sobreviveu no meio desta situação», disse Paulo Trancoso.

Neste período de crise, surgiu a Academia Portuguesa de Cinema, atualmente com cerca de 150 membros e que conta com os prémios Sophia como uma das iniciativas de maior visibilidade.

«Acho que mesmo assim [num momento de crise], o balanço acaba por ser interessante, porque nestes três anos não só houve uma distinção em várias categorias. Durante três anos premiámos carreiras. É importante lembrar e agradecer. Só por essa ação já se deve pensar que é importante a Academia ter aparecido», opinou.

Paulo Trancoso, produtor de cinema, alertou que é preciso «uma ação concertada» para que haja mais cinema português e que este seja visto por mais espetadores: é necessária uma nova lei do mecenato, para que as empresas invistam mais no cinema português; é preciso um circuito de distribuição cinematográfica «mais interessante», alternativo à hegemonia das grandes distribuidoras; e as televisões, em particular a RTP, têm de cumprir as suas obrigações legais perante a produção de cinema.

A terminar três anos de mandato à frente da Academia – e sem revelar se voltará a candidatar-se –, Paulo Trancoso acredita na longevidade da organização.

«A Academia tem detratores por todos os lados, mas isso não quer dizer que não haja um grupo, somos pelo menos 150. A Academia mostrou que é possível fazer, que é possível dar prémios, é possível haver um grande grupo de profissionais que tem vontade que exista a Academia e que exista atividade associativa ligada ao cinema», afirmou.

Além da atribuição dos prémios Sophia, a Academia Portuguesa de Cinema tem intensificado contactos para a promoção do cinema fora de portas, nomeadamente no universo ibero-americano, e é responsável pela escolha do candidato português ao Óscar de melhor filme estrangeiro.

A Academia, que deverá realizar ainda este ano eleições para escolher nova direção, pretende ainda editar uma coleção de filmes portugueses, recuperando títulos raros ou que dificilmente se encontram nas lojas.

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