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Presidente do Equador quer impedir Brad Pitt de fazer filme sobre petrolífera

Rafael Correa fez um apelo para que a estrela vá à Amazónia equatoriana para ver os danos causados pela empresa petrolífera americana Chevron.

O presidente do Equador, Rafael Correa, apoiou uma campanha para desencorajar Brad Pitt a produzir um filme sobre uma suposta fraude judicial envolvendo a empresa petrolífera Chevron, condenada por danos ambientais na Amazónia, e convidou o ator a visitar a área afetada.

«Estou certo de que, quando ele conhecer toda a verdade, vai recusar-se a participar desta farsa onde a Chevron é a vítima e as vítimas são os responsáveis. Então, é claro que apoiamos esta campanha», afirmou Correa durante encontro com a imprensa internacional em Quito.

O presidente disse que o governo não está diretamente envolvido na campanha pública lançada pela página change.org, com o objetivo de dissuadir a estrela de Hollywood.

Com a hashtag #BradDoTheRightThing [«Brad, faça o que está correto», em inglês], esta iniciativa procura reunir apoio para evitar que Pitt, eventualmente, produza um filme baseado no livro «Law of the Jungle», de Paul Barrett.

Numa carta pública, organizações equatorianas salientam que a Plan B, produtora de Pitt, comprou os direitos do livro com a versão da Chevron, «supostamente com a intenção de transformá-lo num filme».

Nem a Chevron, nem o ator ou sua produtora se pronunciaram sobre o caso.

Correa fez um apelo claro para que Pitt não produza um filme com a versão da Chevron e que, pelo contrário, viaje para a Amazónia equatoriana para observar os danos causados pela petrolífera norte-americana.

«Fiz um convite público para que Brad Pitt visite a selva amazónica e coloque as mãos nas lagoas deixadas pela Chevron», lembrou.

Em 2013, os tribunais equatorianos condenaram a empresa a pagar 9,5 mil milhões de dólares em indemnizações pela poluição ambiental atribuída à Texaco, comprada pela Chevron em 2001.

A Chevron acusou a sentença de fraudulenta e ilegítima e recusa-se a cumprir a decisão. A ação foi lançada há duas décadas pelos habitantes indígenas da Amazónia, que alegam graves danos à saúde e para o ambiente, devido à atividade desenvolvida pela Texaco entre 1960 e 1990.

A Chevron, que não tem ativos significativos no Equador, argumenta que a Texaco pagou indemnizações justas e que o dano foi causado pela Petroecuador, com a qual a sua filial operou em consórcio.

Ao mesmo tempo, a empresa tenta em instâncias internacionais que o Equador seja obrigado a pagar uma indemnização de 9,5 mil milhões de dólares.

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