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Presidente dos Óscares diz que fronteiras não param a arte e apela à liberdade

O almoço informal que juntou os nomeados aos Óscares em Los Angeles foi marcado pelo atual clima político nos EUA.

O clima político vivido na América marcou, na segunda-feira, o encontro de artistas candidatos aos Óscares, no início do qual a presidente da Academia, Cheryl Boone Isaacs, apelou à tolerância e à liberdade, comparando os tempos atuais ao Macartismo.

“Hoje, nós celebramos-vos (…) mas cada um de nós sabe que há cadeiras vazias nesta sala”, declarou a presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, a poderosa organização que atribui os Óscares, durante o almoço anual em Beverly Hills, no qual participaram cerca de 160 artistas.

Cheryl Boone Isaacs referia-se aos candidatos a Óscares que provavelmente não vão poder assistir à entrega destes prémios do cinema, devido ao decreto do presidente Donald Trump, que proíbe a entrada nos Estados Unidos de cidadãos de sete países de maioria muçulmana.

Essas cadeiras vazias transformaram alguns “artistas da Academia em militantes”, continuou Cheryl Boone Isaacs, fortemente aplaudida ao acrescentar que existe “hoje uma batalha pela liberdade artística, que parece mais urgente do que nunca, desde os anos 50”, época do Macartismo.

“Apoiamos os artistas de todo o mundo, levantamo-nos contra os que pretendem limitar a nossa liberdade de expressão e por este princípio fundamental: todos os artistas do mundo estão ligados por um laço indestrutível mais forte que as nacionalidades e a política”, disse ainda a presidente da Academia antes de concluir: “O nosso trabalho não pára nas fronteiras e as fronteiras não podem parar nenhum de nós”.

O realizador iraniano Asghar Farhadi, nomeado pelo seu filme “O Vendedor” na categoria de melhor filme estrangeiro, um prémio que já recebeu por “Uma Separação”, em 2012, faz parte dos artistas afetados pelo decreto migratório de Donald Trump, entretanto suspenso por um juiz federal de Seattle.

Os protagonistas do documentário “Os Capacetes Brancos” ("The White Helmets"), sobre os voluntários que resgatam vítimas da guerra na Siria, também não deverão poder assistir à grande gala anual do cinema americano, em Los Angeles, a 26 de fevereiro.

Entre as estrelas que participaram no almoço de celebração dos candidatos aos Óscares, estavam Ryan Gosling e Emma Stone, protagonistas da comédia musical “La La Land”, que soma o número recorde de 14 nomeações para a 89.ª cerimónia dos Óscares.

A atriz francesa Isabelle Huppert, na corrida para o Óscar de Melhor Atriz pela sua participação no 'thriller' de Paul Verhoeven “Ele”, recebeu uma salva de palmas ao juntar-se aos outros nomeados para uma tradicional foto promocional, assim como Viggo Mortensen, indicado por "Capitão Fantástico", e Viola Davis, favorita na categoria de atriz secundária por "Vedações".

Os produtores da cerimónia, Michael De Luca e Jennifer Tood, pediram aos nomeados que façam discurso curtos e concisos. Também exibiram um vídeo em que a comediante Kate McKinnon ("Caça Fantasmas") interpreta uma estrela fictícia dos anos 30, Gloria Concave, e apresenta dicas sobre o que deve ser feito e o que deve ser evitado na grande noite.

O decreto assinado por Trump, a 27 de janeiro, impede a entrada nos Estados Unidos de cidadãos de sete países (Irão, Iraque, Líbia, Somália, Sudão, Síria e Iémen) durante três meses e o acolhimento de refugiados durante quatro meses, mas os sírios são alvo de uma proibição sem limite de duração.

No final da semana passada, o juiz federal James Robart suspendeu a aplicação da ordem e, no domingo, um tribunal de recurso rejeitou o pedido da administração de Donald Trump para restabelecer imediatamente a aplicação do controverso decreto.

O Departamento de Justiça apresentará hoje novos argumentos em defesa da medida de exclusão.

Veja as imagens do encontro.

 

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