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Processo de composição é o mesmo num filme português ou em Hollywood, diz Rodrigo Leão

O compositor Rodrigo Leão garantiu hoje que o «processo de composição» pelo qual se guia «é semelhante» para um filme de Hollywood ou para um filme nacional, porque o que o «guia» é a «intuição» e que não se deixa «impressionar».

Em entrevista à Lusa, um dia antes de atuar em Guimarães, na Plataforma das Artes, o artista, que se confessa «autodidata», revela que «ainda tem muito para fazer» e que gostava de «um dia» trabalhar com o músico Peter Gabriel, «entre muitos outros».

Sobre o espetáculo da noite de sábado, que vai contar com a participação da cantora moçambicana Selma Uamusse, Rodrigo Leão adiantou que será «um pouco diferente» por ser ao ar livre, mas esse fator «torna ainda mais interessante» o momento.

Rodrigo Leão foi recentemente distinguido pela banda sonora do filme «O Mordomo», de Lee Daniels, com o American Film and Television Award, da American Society of Composeres, Authors and Publishers.

«Foi uma experiencia muito interessante [compor para uma banda sonora de uma produção de Hollywood]. Tive condições excecionais, desde uma das melhores orquestras do mundo, os melhores estúdios, tudo», explicou.

Mas, garantiu, o «processo de composição» não difere com o orçamento e a magnitude do projeto. «É idêntico para um filme de Hollywood ou para uma produção nacional. Procuro inspiração nas imagens, estou atento ao que vou vendo. Não me deixo impressionar. É um processo muito intuitivo», garantiu.

O compositor português já trabalhou com muitos nomes da música, de vários estilos, entre os quais Scott Matthew, Thiago Petit, Melingo, Rosa Passos, Adriana Calcanhotto, Ludocio Einaudi e Ryuchi Sakamoto.

«Desde pop, música clássica, tango. Tem sido uma grande variedade, sim. Mas são processos naturais e com cada um aprendo imenso», disse.

Com o início da carreira a remontar aos anos de 1980, o músico admite que «não está tudo feito» ao nível musical. «Ainda tenho muito, muito para fazer. Estou há 30 anos a tentar fazer as minhas músicas, já fiz muitas e ainda não fiz quase nada», afirmou.

Leão confessou ainda um dos nomes com quem gostaria de trabalhar: «Há muitos nomes. Mas o Peter Gabriel admito que é um deles», confessou.

O músico, que fez parte do grupo Sétima Legião, foi distinguido no passado dia 10 de junho, pelo Presidente da República, com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. Aos 50 anos, Rodrigo Leão tem assinado várias bandas sonoras, nomeadamente da série televisiva de ficção «Equador» e a documental «Portugal - Um Retrato Social».

O músico, que também fez parte do núcleo original dos Madredeus, editou o primeiro álbum em nome próprio, «Ave Mundi Luminar», em 1993, com os Vox Ensemble. Até à atualidade, gravou cerca de uma dúzia de álbuns, incluindo a compilação «O Mundo» e o duplo CD «Songs», coletânea de canções compostas entre 2004 e 2012.

Rodrigo Leão sobre ao palco na praça da Plataforma das Artes e da Criatividade, sábado, 12 de julho, às 22:00.

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