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Reabilitação do Cinema Batalha do Porto prevê duas salas e elevador

O Cinema Batalha vai tornar-se uma Casa do Cinema, com espaços para projeção de filmes, investigação e divulgação da história e uma colaboração ativa com a Cinemateca.

O arquiteto responsável pela reabilitação do Cinema Batalha, no Porto, revelou esta quarta-feira que o espaço vai ter duas salas de cinema e um elevador com ligação ao terraço do edifício, não estando, porém, o projeto ainda concluído.

O arquiteto responsável, Alexandre Alves Costa, que esta manhã coordenou uma visita que o Bloco de Esquerda (BE) fez ao edifício que acolherá em breve o encontro de cinema Desobedoc, adiantou que a sua ideia é recuperar dois frescos do pintor Júlio Pomar, que foram “tapados, picados” antes da inauguração do Batalha, em 1947.

Revelando que tem andado a estudar a vida e obra do arquiteto Artur Andrade, que projetou o Cinema Batalha e “juntou um grupo de artistas” - “gente de esquerda” - para aquele trabalho, Alves Costa disse que aquele edifício “foi uma obra moderna, absolutamente extraordinária à época” e que “tem uma expressão extremamente atual, muito mais à frente do que se estava a fazer na altura”.

“Houve uma grande unidade de pensamento na ideia de fazer [o Batalha como] uma espécie de manifesto moderno sobre a Sétima Arte”, disse o arquiteto, considerando que o Batalha é “quase como um monumento da resistência do Porto ao fascismo”.

Segundo Alexandre Alves Costa, “a direita no Porto, encabeçada pelo Governo Civil e pela Câmara do Porto, esteve atenta [às obras]”, de tal maneira que “o Governo Civil mandou tapar os frescos de Júlio Pomar e retirar um martelo que existia fora” do edifício, antes da inauguração, e que se pretende, no âmbito do restauro, colocar de novo no lugar.

O arquiteto explicou ainda que pretende recuperar o espaço da Sala Bebé para uma sala polivalente.

“A plateia e a tribuna, bem como uma pequena parte do segundo balcão, serão conservados”, dando uma sala de cinema para mais de 600 pessoas, mas o seu projeto passa por construir uma segunda cabine na parte de trás do segundo balcão e assim fazer uma segunda sala de cinema, com capacidade para 150 lugares.

Questionado sobre se pretendia manter as cadeiras existentes nessa segunda sala, Alves Costa respondeu querer “reciclar as cadeiras da Sala Bebé”, mudando o forro, “e levá-las para o estúdio (segunda sala)”.

Certo é que Alves Costa tem “o maior interesse em que a obra se faça rapidamente”, mas ainda lhe falta “terminar o projeto”.

O elevador, em vidro, que pretende colocar no edifício terá como funções dar acesso às pessoas com mobilidade reduzida e permitir a utilização do terraço do Batalha, e ali fazer uma esplanada, cujos atuais acessos são “fracos”, disse.

A 13 de janeiro, o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, revelou que pretende transformar o Cinema Batalha numa Casa do Cinema, com espaços para projeção de filmes, investigação e divulgação da história e uma “colaboração ativa” com a Cinemateca.

“Queremos que seja uma Casa do Cinema: com sala de cinema, espaço para investigação e todo um trabalho para promover o cinema. Temos de ver, também, as questões dos arquivos. Falámos já com o ministro e o secretário de Estado da Cultura porque pretendemos ter uma colaboração ativa com a Cinemateca. Tudo isso foi previamente acautelado, iremos agora desenvolver o projeto”, descreveu Rui Moreira.

Classificado como Monumento de Interesse Público, o Batalha está encerrado desde 2011, tendo Moreira referido na ocasião que será difícil reabrir o equipamento antes de 2018.

A Câmara do Porto vai pagar uma renda mensal de 10 mil euros aos proprietários do imóvel durante 25 anos e Rui Moreira já disse que o investimento na recuperação do edifício será “seguramente suportável pelo erário municipal”.

Construído na década de 1940 e classificado como Monumento de Interesse Público em 2012, o Cinema Batalha fechou duas vezes nos últimos 17 anos.

Propriedade da empresa Neves & Pascaud, o imóvel foi sala de cinema até 2000, altura em que foi encerrado. Manteve-se fechado até 2006, quando reabriu como espaço cultural pelas mãos da Associação de Comerciantes do Porto (ACP).

No fim de dezembro de 2010, a ACP acabaria por entregar as chaves do edifício devido a “prejuízos mensais avultados”.

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