Artigo

Realizador americano proibido de fazer filmes durante 10 anos

Randall Miller tornou-se também o primeiro cineasta na história do cinema americano condenado a pena de prisão por negligência que resultou na morte de uma assistente durante a rodagem de um filme.

O realizador Randall Miller aceitou esta segunda-feira um acordo judicial que o dá como culpado de homicídio involuntário da assistente de câmara Sarah Jones (na foto) e invasão de propriedade durante a rodagem do filme «Midnight Rider» e o levará a cumprir pena efetiva de prisão.

Trata-se da primeira vez que um cineasta cumprirá pena por uma morte relacionada com o mundo do cinema nos EUA.

«Midnight Rider» era uma produção baseada na vida do cantor Gregg Allman, que seria representado por William Hurt.

A 20 de fevereiro de 2014, um comboio de carga atingiu membros da equipa de «Midnight Rider», bem como uma cama de metal colocada no meio de uma ponte ferroviária sobre o rio Altamah, no estado da Georgia, vitimando a assistente de câmara Sarah Jones e ferindo outras seis pessoas.

As autoridades tinham acusado Randall Miller, a sua esposa e sócia Jody Savin, bem como um terceiro membro da produção, Jay Sedrish, de homicídio involuntário e invasão de propriedade criminosa que resultou na morte de Jones.

De acordo com a acusação, a produção tinha autorização apenas para filmar nos terrenos da propriedade em redor da linha.

No âmbito do acordo, Miller, que fez filmes como «O Filho do Prémio Nobel» (07) e «Duelo de Castas» (08), concordou com os factos da acusação e foi sentenciado a dois anos de prisão - espera-se que cumpra metade -, 10 anos de pena suspensa, 20 mil dólares de multa e 360 horas de serviço comunitário.

Durante os 10 anos, concordou ainda em não ser realizador, assistente de realização ou responsável pela segurança em qualquer produção cinematográfica.

As acusações contra Jody Savin foram retiradas e Jay Sedrish recebeu pena suspensa.

Segundo informa o sítio Deadline Hollywood, mais de 80 pessoas morreram em 52 acidentes fatais na rodagem de filmes nos EUA desde o primeiro caso registado em 1914, quando a atriz Grace McHugh, com 16 anos, se afogou e o operador de câmara Owen Carter morreu ao tentar salvá-la durante a rodagem de uma cena do filme «Across The Border».

Apenas dois casos originaram processos, mas sem condenações.

O primeiro foi em 1929, quando 10 pessoas morreram num incêndio atingiu o estúdio da Pathé em Manhattan (Nova Iorque).

O segundo caso, muito famoso, aconteceu a 24 de julho de 1982, quando um helicóptero caiu em cima do ator Vic Morrow e duas crianças na rodagem de «No Limiar da Realidade» (1983). Cinco pessoas, incluindo o cineasta John Landis, foram acusados de homicídio involuntário, mas seriam absolvidos.

Comentários