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Ridley Scott responde sem papas na língua a acusações de racismo feitas a «Exodus»

Escolher atores como Christian Bale e Joel Edgerton para os papéis principais de «Exodus: Deuses e Reis» foi uma decisão de negócios.

«Exodus: Deuses e Reis» tem enfrentado acusações de ser racista por ter ter um elenco com demasiados atores brancos. O épico bíblico decorre no Antigo Egipto e inclui um elenco de estrelas formado por Christian Bale, Joel Edgerton, Sigourney Weaver e Aaron Paul.

As escolhas motivaram críticas assim que foram anunciadas, ainda antes da rodagem. na altura, Ridley Scott, realizador de «Gladiador» e «Prometheus», garantiu que o filme mostraria uma «confluência de culturas», acrescentando: «Existem muitas teorias sobre a etnicidade do povo egípcio e tivemos muitos debates sobre a melhor forma de representar a cultura. Escolhemos grandes atores de diferentes etnicidades para refletir a diversidade da cultura, de iranianos a espanhóis e árabes».

Agora, em entrevista à publicação Variety, o cineasta respondeu às críticas e foi muito franco ao explicar que escolher atores brancos para os papéis principais foi a única forma de conseguir financiamento.

«Não posso montar um filme deste orçamento [140 milhões de dólares], em que tenho de depender de reduções de impostos em Espanha, e dizer que o meu ator protagonista é Mohammad qualquer coisa. Não vou conseguir financiamento. Portanto, a questão nem se colocou».

Um movimento de opositores que se juntou numa petição nas redes sociais em #BoycottExodusMovie [boicote o filme «Exodus»] já reuniu 25 mil assinaturas, com alguns dos signatários a defenderem que a decisão de recorrer a «spray» bronzeador e «eyeliner» nos atores ainda foi mais insultuosa.

Entretanto, no sábado o CEO do estúdio, Rupert Murdoch, deitou mais achas para a fogueira ao escrever no Twitter «Desde quando é que os egípcios não são brancos? Todos os que conheço são».

No verão, Joel Edgerton, que interpreta o faraó Ramsés, foi mais diplomático ao abordar o tema durante uma entrevista: «Sou sensível à situação e compreendo e simpatizo com essa posição». Mas, como ator, acrescentou, «não é a minha função tomar essas decisões. Pediram-me para fazer um trabalho e teria sido muito difícil dizer não».

Note-se «A Paixão de Cristo» (2004), «Noé» e até «Os Dez Mandamentos» (1956) enfrentaram o mesmo tipo de controvérsia.

«Exodus: Deuses e Reis» estreia em Portugal a 11 de dezembro.

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