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Rob Lowe conta tudo sobre «Sex Tape» e os seus anos mais loucos

Mais de 25 anos 30 anos depois de ter sido a primeira vítima do escândalo de uma «sex tape», Rob Lowe é agora um dos protagonistas da comédia «Sex Tape - O Nosso Vídeo Proibido» e recordou os seus anos mais loucos ao SAPO Cinema.

Em 1988, Rob Lowe, um dos grandes ídolos da juventude da época devido a filmes como «Os Marginais» e «O Primeiro Ano do Resto das Nossas Vidas», quase viu a sua carreira destruída com o escândalo da divulgação de uma cassete de vídeo com ator a ter relações sexuais com uma jovem de 16 anos e outra de 22. Com o tempo, Lowe voltou às luzes da ribalta, tornou-se um homem de família, participou em séries como «The West Wing» e «Parks and Recreation», e parodiou o que lhe sucedeu não só no «Saturday Night Live» como também no filme «Sex Tape - O Nosso Vídeo Proibido», que estreia agora em Portugal. Aqui, ele interpreta o carismático patrão de Cameron Diaz, numa comédia que até inclui uma cena com os dois atores a consumirem cocaína.

«Sex Tape» é um filme que alerta para os perigos da tecnologia. Acha que teve sorte por ter vivido os loucos anos 80 num período em que as redes sociais não estavam por todo o lado?
Não tenha dúvidas. Hoje em dia, deve ser terrível ser-se famoso muito jovem, há câmaras por todo o lado. Já tive grandes estrelas do primeiro escalão de Hollywood a virem ter comigo e a dizer que têm inveja de mim e do que eu fiz, porque hoje elas não se podem divertir. Mal põem o pé fora de casa, têm logo todo o tipo de câmaras a segui-los por todo o lado ou pessoas a comentar em tempo real o que eles fazem. Toda a gente está no Twitter e em dois segundos pode dizer ao mundo «vejam quem está ali com a língua na garganta de uma modelo». E isso tem graça, porque eu costumava ter inveja das pessoas que viveram nos anos 60 e até nos 70, e agora penso «mas de que é que te queixas? Tu viveste nos loucos anos 80». Foi tudo muito «cool», mas toda aquela realidade desapareceu.

Mas há claramente uma mudança de mentalidades: nos anos 80, o Rob Lowe foi martirizado devido a uma «sex tape», nos anos 90 e 2000 houve gente a ficar famosa com «sex tapes» feitas de propósito, e em 2014 eis um filme com uma família sobre uma «Sex Tape», em que o maior problema que se lhes põe é o embaraço perante os amigos...
Sim, é uma alteração radical, não é? Eu fiquei sempre muito surpreendido com todo o barulho à volta daquilo naquela altura. E é um caso em que não é nada bom ser-se precursor. Mas como aquele tipo de coisas não era divulgado o impacto era muito maior. Hoje partilhamos tudo, tudo é colocado no Facebook, no Instagram. E reparem, pessoalmente, eu estou muito mais interessado em saber como é que foi o sexo daquela pessoa ontem à noite do que o que é que aquela pessoa comeu ontem à noite. Menos fotos das comidas e mais fotos do sexo, por favor. (risos)

De qualquer forma conseguiu manter-se à tona estes anos todos, o que não aconteceu com toda a gente...
Bom, às vezes as pessoas perguntam-me qual é o segredo para permanecer no negócio há 30 anos, e eu acho que é pensar sempre nas coisas certas. E as coisas certas são o papel, as pessoas envolvidas e a forma como o projeto afetará a nossa vida em família. Porque eu acho que a família é muito importante. E a partir daí, vale tudo, seja o que Deus quiser. E este papel é óptimo, o «Sex Tape - O Nosso Vídeo Proibido» é excelente. A personagem é tão estranha e tão especial que eu disse logo, «vamos a isso, vamos fazer uma «sex tape»».

A cena mais divertida do filme passa-se na casa da sua personagem com o Rob e a Cameron a consumirem cocaína. Foi divertida de fazer?
Sim, mas ao mesmo tempo muito cansativa. Eu consumi cocaína há 24 anos, por isso só tenho memórias difusas dos anos 80 (risos). Há no filme cenas em que eu consumo cocaína com a Cameron Diaz e durante rodagem estava a esforçar-me por me lembrar das imensas noites em hotéis com atrizes louras. Foi muito divertido, mas a verdade é que estávamos acordados a trabalhar há 13 horas e estávamos completamente exaustos, por isso a dada altura aquilo até pareciam os anos 80 mas sem o consumo real de drogas.

A sua geração em Hollywood terá sido vítima de ter tido o mundo nas mãos demasiado cedo? Beleza, riqueza, fama, tudo à saída da adolescência: parecia não haver fim até tudo explodir...
Eu pensei muito nisso. As pessoas diziam sempre «mas eles têm tudo, têm dinheiro e fama, mas porque é que eles se drogam? Porque é desperdiçaram tudo?». E eu acho que é porque intrinsecamente todos sabíamos que aquilo não era sobre nós. É sobre os fãs, sobre a relação que eles mantêm com um papel ou com uma personagem ou com o que lêem nas revistas. Mas as pessoas que eles idolatram não somos nós, não sou eu e a pessoa que a minha mulher conhece, é uma pessoa quase fictícia, imaginada pela público a partir da construção do cinema, da televisão e das revistas. E mesmo em jovens nós sabíamos disso. Era algo estranho e desconfortável, não se podia definir nem concretizar, e acho que era a razão porque tanta gente se drogava. A fama não era real, a adulação não era em relação a nós mas a figuras irreais que nós incorporávamos.

A comédia foi um passo importante para recuperar a carreira, com a participação em fitas como «Wayne's World» ou «Austin Powers»?
Sim, mas não foi o essencial. Eu fiz escolhas muito específicas para conseguir sobreviver. E eu fi-las, porque quis ter relações a sério, um casamento que funcionasse e filhos. E depois disso, curiosamente, todas as coisas interessantes em termos de carreira começaram a aparecer. Acho que a imagem do «playboy» envelhecido é um pouco grotesca, e não me diz muito. Saber quando sair da festa é a melhor forma de arte que há: deixar o «West Wing» quando o fiz, ou deixar as festas dos anos 80 quando o fiz, ou deixar o «Parks and Recreation» quando fiz... Eu tenho um sentido intrínseco de quando devo sair das coisas, e isso tem-me servido muito bem. Eu faço isto desde os 15 anos e nunca parei de aprender.

Hollywood também mudou muito desde que começou no início dos anos 80...

Numa coisa não mudou: o objetivo é fazer dinheiro, é um negócio como outro qualquer. Vejam quem ganha os Óscares todos os anos e sigam a carreira deles nos dois ou três anos seguintes. Isso diz tudo o que há para saber sobre o negócio. E não estou a julgar, é o que é. É «show business». Se o público ainda estivesse interessado nos filmes espantosos que se faziam nos anos 70, Hollywood ainda estaria a fazê-los, acredite. Hollywood só quer fazer dinheiro, por isso se houvesse interesse, eles fariam os filmes. Esse público transferiu-se para a televisão, para o «True Detective», o «West Wing», «Os Sopranos», «A Guerra dos Tronos», o «Mad Men», o «House of Cards»... Ou seja, Hollywood ainda está a fazer o mesmo tipo de conteúdos, mas em sítios diferentes. O que não deveria ser surpreendente, porque estamos a receber tudo em sítios diferentes, nos nossos telefones e por aí fora.

Veja aqui a entrevista do SAPO Cinema a Cameron Diaz e Jason Segel

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