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Soderbergh, Wong Kar-wai e cinema português brilham no Festival de Berlim

A estreia do novo filme de Wong Kar-wai, a despedida de Steven Soderbergh, a presença de estrelas do cinema francês e quatro filmes portugueses deverão marcar o Festival de Cinema de Berlim, que começa esta quinta-feira.

A 63.ª edição da Berlinale estender-se-á por dez dias, somando mais de 400 filmes, em competição e fora dela, e concentrando estrelas de várias gerações do cinema internacional, na capital alemã, como descreveu o diretor do festival, Dieter Kosslick. A organização destaca a presença em Berlim das atrizes Catherine Deneuve, pelo filme «Elle s'en va», Juliette Binoche em «Camille Claudel 1915», e Isabelle Huppert, por «La Religieuse».

Em Berlim, o ausente realizador Jafar Panahi - impedido de sair do Irão - terá em exibição «Pardé», filme feito na clandestinidade com a ajuda do argumentista Kambozia Partovi, e o realizador norte-americano Steven Soderbergh apresentará «Side Effects», possivelmente o seu derradeiro filme.

Haverá ainda a exibição, na noite de abertura e fora de competição, de «The Grandmaster» (na imagem), o novo filme do realizador chinês Wong Kar Wai, que preside este ano ao júri da competição oficial, «Comboio Noturno para Lisboa», do dinamarquês Bille August, rodado em Lisboa com Jeremy Irons, e «Before Midnight», o terceiro filme de Richard Linklater protagonizado por Ethan Hawke e Julie Delpy.

Fora de competição, destaque ainda para «Dark Blood», de George Sluizer, de 1993, só agora completado, e que inclui a última participação do ator River Phoenix, falecido naquele ano.

Quando apresentou a programação oficial, Dieter Kosslick afirmou que o festival apresenta este ano grandes produções de Hollywood, mas também realizadores em começo de carreira, que estarão a mostrar um primeiro ou segundo filme.

Dos filmes selecionados, o diretor sublinhou que «há muitas mulheres no centro das histórias» e outras produções em que se abordam os «danos colaterais da crise em várias sociedades».

A presença do cinema português

Quatro filmes portugueses, de João Viana, Salomé Lamas e Pedro Pinho, integram a programação do Festival de Cinema de Berlim, que começa na quinta-feira, além da já referida produção internacional «Comboio Noturno para Lisboa», rodada em Portugal,

O realizador João Viana terá presença em duplicado, porque foram selecionados «Tabatô», curta-metragem que compete pelo prémio Urso de Ouro, e a longa-metragem «A Batalha de Tabatô», que integra a secção Fórum. Apesar de terem sido rodados na mesma aldeia, Tabatô (Guiné-Bissau), com elenco partilhado, os dois filmes são distintos entre si, como explicou João Viana à Lusa.

«Tabatô» competirá, juntamente com outras 26 curtas, pelo Urso de Ouro, prémio que, no ano passado, distinguiu «Rafa», de João Salaviza.

Na secção Fórum, será também exibido o documentário «Terra de Ninguém», filme de Salomé Lamas no qual o ex-militar Paulo Figueiredo, de 66 anos, conta a sua história de vida, o que fez como combatente e depois mercenário, as atrocidades e a violência e, alegadamente, o trabalho para a CIA. O filme valeu a Salomé Lamas, 26 anos, quatro prémios no ano passado, no festival DocLisboa.

A propósito desta fita, a direção do festival sublinha o «minimalismo formal» de Salomé Lamas e a frieza com que o protagonista, Paulo Figueiredo, recorda as atocidades cometidas.

O festival de Berlim selecionou ainda, para a secção Generation, «Um Fim do Mundo», filme a preto e branco de Pedro Pinho sobre o fim da adolescência, com um grupo de jovens do bairro da Bela Vista, em Setúbal.

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