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«Spy» mostra como ser espião raramente foi tão divertido

A pura diversão chegou ao mundo da espionagem e no feminino: «Spy» é uma comédia de ação leve e descomprometida com ótimos gags e atores inspirados.

Susan Cooper (Melissa McCarthy) é, há já alguns anos, analista da CIA, brilhando no anonimato enquanto os outros recolhem os louros. Um deles é Bradley Fine (Jude Law), um charmoso e inteligente espião que se vê envolvido numa missão muito importante mas que não corre como esperado. Para surpresa de todos, chegou a vez de Susan tornar-se naquilo que sempre quis ser: uma agente no terreno. E James Bond que se cuide...

Paul Feig, argumentista e realizador, supera-se nesta aventura, uma paródia iridescente aos típicos filmes que retratam o mundo da espionagem. O ritmo é frenético e, felizmente, as melhores cenas não estão nos trailers (como, por vezes, tanto acontece nos filmes de comédia), constituindo-se uma narrativa cativante, apesar da sua previsibilidade, que poderia ser evitável. A estética também não é muito inovadora e a banda-sonora não deslumbra.

Contudo, quanto ao elenco, não há dúvidas: assenta que nem uma luva nas personagens ricas em momentos potencialmente cómicos. Melissa McCarthy é a estrela principal, criando uma protagonista apelativa, vibrátil e carismática. Jude Law e Rose Byrne cumprem e conseguem um ou outro momento mais interessante.

A grande surpresa, contudo, é mesmo Jason Statham, que interpreta a personagem mais caricata. Mais habituado a filmes de ação desmedida e diálogos contidos, o ator surpreende na comédia, conseguindo compor algumas das melhores cenas. Menos bem conseguida é, por exemplo, a participação do cantor 50 Cent, que nada acrescenta.

Cheio de ritmo e piadas constantes, o filme surpreende, mas não consegue superar o espantoso «Kingsman: Serviços Secretos» (2015), de Matthew Vaughn, uma obra que também parodia os agentes secretos. Contudo, «Spy» é uma lufada de ar fresco, subvertendo os conceitos previamente estabelecidos e experimentando novos caminhos na comédia. E, só por isso, já vale a pena.

3,5 em 5
REVISTA METROPOLIS

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