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«Suite Francesa» brilha com química de Michelle Williams e Matthias Schoenaerts

O filme aborda os perigos e consequências do perigo do desejo em plena Segunda Guerra Mundial.

Um amor impossível numa época impossível é a génese de «Suite Francesa», um drama passado na Segunda Guerra Mundial que aborda pouco a ambiência bélica, optando por mergulhar nas relações interpessoais de duas faces da guerra.

A história decorre em Bussy, uma cidade francesa que se vê subitamente invadida pelo exército alemão. Lucille Angellier (Michelle Williams) vive com a sogra, enquanto aguarda por notícias do seu marido, Gaston, que foi enviado para lutar pelos franceses. Quando os soldados alemães chegam, os habitantes são obrigados a aceitar os oficiais nas suas próprias casas. Calha em sorte a Lucille o comandante Bruno von Falk (Matthias Schoenaerts), com quem desenvolverá uma intrépida relação de desejo incontrolável com perigosas consequências.

À parte todas as personagens falarem um inglês perfeito (embora tendo origem francesa ou alemã), o filme consegue ser suficientemente atrativo para o espectador.

O argumento é o principal trunfo, sendo baseado na novela homónima – nunca terminada – escrita por Irène Némirovsky, uma judia que acabaria por morrer em Auschwitz, em 1942.

Retratando uma época da História tão difícil e dramática, a obra consegue realçar alguns momentos de luz e de esperança, através de algumas personagens que se elevam pelo seu carácter. A protagonista, brilhantemente interpretada por Michelle Williams, é quem merece o grande foco, captando toda a atenção narrativa. Destaque ainda no elenco para a sempre segura Kristin Scott Thomas e a magnetizante Ruth Wilson.

A interpretação masculina é, de resto, algo negligenciada, não havendo grande exploração neste aspeto. A realização de Saul Dibb é pouco ousada, adaptando-se somente às linhas tradicionais deste tipo de retratos cinematográficos, mas a fotografia é, não obstante, algo a valorizar, bem como alguns momentos da banda sonora.

«Suite Francesa» poderia ser mais surpreendente se talvez não fosse tão linear e tivesse uma montagem mais empolgante que disfarçasse a previsibilidade. Todavia, e já que se trata mais de um filme de emoções, a química entre os dois protagonistas é apaixonante e acaba por dar algum alento a uma obra amena e com pouca chama.
3 em 5
TATIANA HENRIQUES

REVISTA METROPOLIS

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