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«Taxi», do iraniano Jafar Panahi, conquista Festival de Berlim

O filme recebeu a distinção máxima do certame, o Urso de Ouro. O cineasta não recebeu o prémio por estar impedido de sair do seu país.

O filme «Taxi», do iraniano Jafar Panahi, foi o grande vencedor do Festival de Cinema de Berlim, conquistando no sábado à noite o Urso de Ouro, atribuído pelo júri do cineasta Darren Aronofsky («Cisne Negro»).

O cineasta não esteve presente pois está impedido de sair do seu país: celebrado pelos cinéfilos em todo o mundo, o Irão considera subversiva a sua visão crítica da sociedade. A distinção foi entregue a Hana Saeidi, sua sobrinha.

Não obstante ter sido proibido de fazer novos filmes por 20 anos «por atentado contra a segurança do Estado e ato de propaganda contra o regime», «Taxi» é o terceiro filme que dirige após a condenação, colocando a câmara dentro de um táxi amarelo que conduz pelas ruas de Teerão, colocando-se no papel de taxista que conversa com as diversas personagens que transporta. Cada uma conta uma história e ponto de vista, falando muito da realidade do país.

Dissidente no seu país, a situação de Panahi agravou-se por causa de um documentário que estava a fazer sobre os distúrbios após a polémica eleição presidencial de 2009.

Já o Grande Prémio do júri do festival foi para «El Club», do chileno Pablo Larraín.

Nas categorias de interpretação, foram distinguidos como melhor ator e atriz os veteranos Tom Courtenay e Charlotte Rampling, ambos pelo drama «45 Years».

O Urso de Prata para melhor realização foi, por sua vez, dividido por Radu Jude («Aferim») e Malgorzata Szumowska («Body»).

O Urso de Prata especial foi para «Ixcanul», do guatemalteco Jayro Bustamante.

O documentário «El Botón de Nácar», do chileno Patricio Guzmán, recebeu o Urso de Prata de melhor argumento.

O filme de ação «600 Millas», do realizador mexicano Gabriel Ripstein, sobre o tráfico de armas entre os EUA e o México, foi escolhido como obra revelação.

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