A HISTÓRIA: Barb e a Star são amigas de longa data que decidem embarcar na aventura de uma vida quando deixam a sua pequena cidade do interior pela primeira vez... na vida, para umas inesquecíveis férias de sonho. Romance, amizade e a trama maligna de um vilão... segure as suas culotes, porque as amigas Barb e Star vão surpreender tudo e todos.

"As Férias Loucas de Barb e Star": nos cinemas a partir de 19 de agosto.


Crítica: Daniel Antero

Se gosta de piña colada com chapéuzinhos, este “As Férias Loucas de Barb e Star” é para si. Ok... é mais do que isso.

Se gosta de tontice veraneante, romance pindérico e "kitsch", vilões de banda desenhada e humor como nos clássicos "Aeroplano" ou "Top Secret!", esta comédia escrita por Kristen Wiig e Annie Mumolo, escritoras do sucesso "A Melhor Despedida de Solteita" (2011), é sim, para si.

Barb e Star são duas amigas tagarelas do "Midwest" americano que, num momento de atrevimento, se soltam e marcam viagem para Vista del Mar, uma área balnear no Golfo da Florida. Mal elas sabem que vão ter a aventura das suas vidas, lidando com espiões enamorados - Jamie Dorman da trilogia "As Cinquenta Sombras de Grey" e uma vilã que foge do sol - Kristen Wiig num duplo papel, a encarnar uma mistura de Cate Blanchett, Tilda Swinton e Mike Meyers como Dr. Evil da saga "Austin Powers".

Dada a monotonia e repetição que invade as comédias "hollywoodescas", a nossa expectativa é toldada pela experiência. Nesse sentido, alegre, simples e exuberantemente tolo, “As Férias Loucas de Barb e Star” é uma surpresa. Como as personagens Barb (Mumolo) e Star (Wiig) vivem a sua vida, abordamos a sala de cinema sem espírito de aventura e absortos na rotina, mas quando as atrizes começam a debitar verborreia a um ritmo de fluxo de consciência, só travado por "gags" visuais inesperadas, percebemos que esta comédia se trata de uma escapadela sem filtro.

De enredo cheio de maneirismos bizarros e uma história repleta de pequenos "sketches" que tanto incluem momentos musicais como covis de vilania, despertares espirituais e piadas mais ordinárias, “As Férias Loucas de Barb e Star” não tem meias palavras e aponta a todos os alvos. Mesmo sabendo que algumas piadas irão falhar: Damon Wayans Jr. é muito mal aproveitado, mas fica na retina um caranguejo falante, existencialista, com voz à Morgan Freeman.

Caricatural e menos ambicioso do que "A Melhor Despedida de Solteira", este "Férias Loucas" quer descomprimir no seu absurdo, fazendo-nos acompanhar duas personagens ingénuas e genuínas, leves e espontâneas, que trazem autenticidade e suporte a um universo normalmente reservado ao espalhafato interpretado por figuras masculinas.

É esta honestidade e certeza que sustenta o que se vê: Wiig e Mumolo são cúmplices no seu ritmo humorístico e na construção das personagens pois enraízam as suas personalidades, não querendo imitar outras figuras do género. Fazendo-as relacionar com uma visão "kitsch" que desafia a lógica e alguns caprichos à maneira do "Saturday Night Live", este filme torna-se umas loucas férias de verão. Mas claro, se este tom disparatado lhe passar ao lado, ficam umas férias para esquecer.