Críticas

A Vida de Uma Mulher

Une Vie

Crítica "A Vida de uma Mulher": Candura e raiva num drama do século XIX

Stéphane Brizé apresenta-nos a vida da burguesa Jeanne, num registo impressionista onde os momentos são fracturas e memórias de 27 anos n' "A Vida de uma Mulher ".

Adaptando a primeira obra de Guy de Maupassant, assistimos a um mote literário tradicional: como Madame Bovary ou Anna Karenina, Jeanne é uma heroína presa numa tragédia, que luta contra as privações e exigências do século XIX, dominado por homens.

Terminados os estudos, a jovem casa-se com um irascível nobre que arruína todas as suas ilusões de vir a ter uma vida feliz. E mesmo quando uma nova alegria a impele, o seu filho leva a família à ruína.

Observamos este drama num 4:3 que confina e sufoca a passiva Jeanne, com uma narrativa que avança e recua temporalmente sem referência, guiada por voz-off.

Como laivos de um puzzle que se vai construindo, revela a violência física e emocional que vive dentro da sociedade patriarcal . Mas é o seu interior que é exposto, num ritmo sensível e sensual, como que se lentamente tocássemos a face de Jeanne e esta nos absorvesse.

Naturalista, "A Vida de Uma Mulher" é uma espiral poética onde Judith Chemla se transcende na sua candura e raiva contida.

Autor: Daniel Antero

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