Pessoa

Franz Kafka

Franz Kafka

  • AT

  • Nasceu a 03 de Julho de 1883

  • Faleceu a 03 de Junho de 1924

Nota: Se procura o filme do director Steven Soderbergh, consulte Kafka (filme).

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Franz Kafka ( Praga, 3 de Julho de 1883Klosterneuburg, 3 de Junho de 1924) foi um escritor checo de língua alemã.

Biografia


Filho mais velho de Herrmann Kafka, um abastado comerciante judeu, e da sua mulher Julie, Löwy em solteira. Nascem depois dele dois meninos, que morrerão pouco tempo após o nascimento, facto que segundo alguns psicólogos especialistas na obra de Kafka, será um factor determinante para o sentimento de culpa presente nos seus livros; e três meninas, entre elas Ottilie, a sua irmã favorita, com quem chega a morar algumas vezes.

Kafka cresce sob as influências de três culturas: a judaica, a checa e a alemã. No ano de 1902 conhece Max Brod, seu grande amigo, e no ano de 1922 pedir-lhe-á que destrua todas as suas obras após a sua morte. Em 1903, Kafka tem a sua primeira relação sexual, o que lhe trará insegurança para toda a vida. Neste ano também fará sua primeira visita a um sanatório. Teve vários casos amorosos mal resolvidos, uns por intervenção dos pais das namoradas, outros por desinteresse próprio. Kafka faleceu no dia 3 de Junho de 1924 no sanatório Kierling perto de Klosterneuburg na Áustria. A causa oficial da sua morte foi insuficiência cardíaca; Kafka sofria de tuberculose desde 1917.

Educação


Kafka aprendeu alemão como primeira língua, contudo era quase fluente em checo. Formado em Direito, em 1906, trabalhou como advogado, a princípio na companhia particular Assicurazioni Generali, e depois no semi-estatal Instituto de Seguros contra Acidentes do Trabalho. Solitário, com a vida afectiva marcada por irresoluções e frustrações, Kafka nunca atingiu fama ou fortuna com seus livros, na maioria editados postumamente.

Obra


O seu livro A Metamorfose ( 1915) narra o caso de um homem que acorda transformado num gigantesco insecto; O Processo ( 1925) conta a história de um certo Josef K., julgado e condenado por um crime que ele mesmo ignora; em O Castelo ( 1926), o agrimensor K. não consegue ter acesso aos senhores que o contrataram. Estas três obras-primas definem não apenas boa parte do que se conhece até hoje como "literatura moderna", mas o próprio carácter do século: kafkaniano.

Autor de várias colectâneas de contos, Kafka escreveu também a avassaladora Carta ao Pai (1919) e centenas de páginas de diários. Deixou inacabado o romance Amerika.

Morreu num sanatório perto de Viena, onde se internara com tuberculose. Desde então, o seu legado - resgatado pelo amigo Max Brod - exerceu enorme influência na literatura mundial.

Bibliografia


A escrita de Kafka é marcada pelo seu tom despegado, imparcial, atenta ao pormenor e que abrange os temas da alienação e perseguição. Os seus trabalhos mais conhecidos abrangem temas como as pequenas histórias A Metamorfose, Um artista da fome e os romances O Processo, América e O Castelo.

Os seus contos são julgados como verdadeiros e realistas, em contacto com o homem do século XXI, pois os personagens kafkanianos sofrem de conflitos existenciais, como o homem de hoje. No mundo kafkaniano, as personagens não sabem que rumo podem tomar, não conhecem os objectivos da sua vida, questionam seriamente a existência e acabam sós, diante de uma situação que não planearam, pois todos os acontecimentos se viraram contra eles, não lhes oferecendo a oportunidade de se aproveitar da situação e, muitas vezes, nem mesmo de sair desta.

Por isso, a temática da solidão como fuga, a paranóia e os delírios de influência estão muito ligados à obra kafkiana, sendo comum a existência de personagens secundários que espiam e conspiram contra o protagonista das histórias de Kafka (geralmente homens, à exceção de alguns contos onde aparecem animais e raros onde a personagem principal é uma mulher). No fundo, estes protagonistas não são mais que projecções do próprio Kafka, que lhe permitem expor os seus medos, a sua angústia perante o mundo, a sua solidão interior.

A homossexualidade na obra de Kafka


A obra de Kafka tem despertado enorme interesse entre os leitores homossexuais pois, de acordo com Ruth Tiefenbrun, a maior parte das suas personagens são homens homossexuais, que vivem simultaneamente com a necessidade de se esconder e de se exibir. Já Gregory Woods, na sua obra pioneira A History of Gay Literature: The Male Tradition, refere que, mesmo que a sexualidade de Kafka seja controversa, tal não deve impedir a apreciação dos seus textos no âmbito da literatura gay, e que as histórias de homens isolados, forçados a não ter certezas na vida, que estão em constante perigo de ser descobertos, tocam fortemente a sensibilidade de todos os gays.

Retirado de Sapo Saber a 05-04-2010

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