Pessoa

Selma Lagerlöf

Selma Ottilia Lovisa Lagerlöf

  • SE

  • Nasceu a 20 de Novembro de 1858

  • Faleceu a 16 de Março de 1940

Selma Ottilia Lovisa Lagerlöf, (Mårbacka, Östra Ämtervik, 20 de Novembro de 1858 — Mårbacka, 16 de Março de 1940) foi uma escritora sueca.

Selma Ottilia Lovisa Lagerlöf, (Mårbacka, Östra Ämtervik, 20 de Novembro de 1858 — Mårbacka, 16 de Março de 1940) foi uma escritora sueca.

Biografia


Selma Lagerlöf nasceu na paróquia de Östra Ämtervik, província de Värmland, oeste da Suécia, numa propriedade chamada Mårbacka, que seus pais administravam. A região em que estava situada a fazenda era repleta de mitos, lendas e histórias de fantasmas. Seu pai, o tenente Erik Gustaf Lagerlöf, era um homem alegre, original e divertido, e sua mãe, Luísa Wallroth, era filha de um rico industrial da região.

Selma nasceu com um defeito articular na perna esquerda e, aos três anos de idade, viu-se subitamente impedida de andar, com as pernas inertes, passando a infância sem brincar muito, a ouvir as histórias e lendas contadas por sua babá, Kaysa. Em determinado verão, viajou com a família para uma estação de águas, em Strömstad, onde conheceu a esposa do capitão do navio Jacob. Ao ser convidada a conhecer o navio, Selma viu uma ave-do-paraíso e, em sua inocência infantil, achou-a capaz de fazer milagres, fato que a fez, repentinamente, voltar a andar, apesar de continuar claudicando, por causa das dores que sentia na perna esquerda.

Aos 15 anos, depois de ter dedicado toda a infância à leitura, Selma decidiu que seria escritora e passou a escrever milhares de versos. Por volta de 1880, a situação financeira da família entrou em declínio, e começou a fazer pequenos trabalhos para se manter. Em 1882, com a ajuda financeira de um empréstimo feito por seu irmão Johan, Selma entrou para a Kungliga höga lärarinneseminariet, escola que formava professoras e que se preocupava com a causa feminista, incentivando a independência e o progresso social da mulher.

Aos 27 anos, concluídos os estudos, foi nomeada professora de História em Landskrona, cidade à margem do Öresund. Em certa ocasião cortou os cabelos que sempre usara em tranças, num gesto que na época era escandaloso e visto como sinal de emancipação feminina.

Em 1885, sua família, mediante a doença do pai e as dívidas do irmão Johan, perdeu Mårbacka. Secretamente, Selma desejava trabalhar o suficiente para recuperar a propriedade da família. Foi auxiliada pela baronesa Sophie Lejonhufvud Adlersparre (Esselde), que a incentivou a publicar seus versos em Dagny, a revista literária feminista fundada por ela. Em 1890, participou de um concurso de contos com alguns capítulos de um romance que estava escrevendo, e ganhou seu primeiro prêmio em dinheiro. Em 1891, publicava o romance completo, A Saga de Gösta Berling.

Após o sucesso, vieram Os Laços Invisíveis, em 1894, uma coleção de contos. Desses, o mais popular foi A Penugem. Nessa ocasião, em Estocolmo, Selma conhece Sofia Elkan, escritora de romances históricos, com a qual manterá correspondência e amizade pelo resto da vida. A partir dessa época escreveu Os Milagres do Anticristo, em 1897, , na Itália, considerado uma crítica ao socialismo siciliano, e Lenda de uma Quinta Senhorial, em 1898, concebido sobre o tema de A Bela e a Fera. Entre 1900 e 1902, publicou os dois volumes de Jerusalém, após uma viagem ao Egito e à Palestina, e posteriormente Escudos do Senhor Arne, As Lendas de Jesus Cristo e O Livro das Lendas. Já então era considerada uma das maiores escritoras suecas.

Alfred Dalin, diretor da escola de Husqvarna, fez-lhe a proposta de um livro para crianças das escolas primárias, que ensinasse a história e a geografia de seu país. Selma aceitou, elaborando extensa pesquisa e viagens de estudo, concluindo entre 1906 e 1907 a obra A maravilhosa viagem de Nils Holgersson através da Suécia, alcançando tamanho sucesso que pôde realizar seu sonho: comprar novamente Mårbacka, em 1910. Em 1904, recebera a medalha de ouro da Academia Sueca; em 1907, fora nomeada doutora honoris causa da Universidade de Uppsala; em 1909, recebera o Prêmio Nobel de literatura.

Em 1914, entrou para a Academia Sueca, mas conservou sua vida de fazendeira, criando gado e beneficiando farinha de aveia, e continuou escrevendo: A Casa de Liljekrona, em 1911, O Carroceiro da Morte, em 1912, e um compêndio de lendas escritas de 1915 a 1921, reunidas em Gnomos e Homens. Depois publicou O Imperador de Portugal, em 1914, O Exilado, em 1918, a trilogia dos Löwensköld, de 1925 a 1928, entre eles seu último romance, Anna Svärd. Na velhice, publicou apenas volumes de lembranças, e morreu na Mårbacka que tanto amava, sendo enterrada no cemitério de Östra Ämtervik.

Características literárias


No fim do século XIX, a literatura sueca era dominada pelo realismo naturalista. Selma Lagerlöf, com sua obra mesclada de gnomos, duendes e fantasmas, ao recriar a atmosfera ficcional das lendas e relatos populares, significou uma volta ao romantismo. Era vista, popularmente, como uma narradora que encarnava a arte dos contos populares.

Claes Annerstedt, que fez o discurso de recepção para Selma por ocasião da entrega do Prêmio Nobel de Literatura, em dezembro de 1909, diria: " Para ela a natureza, mesmo inanimada, possui vida própria, invisível e contudo real".

Notas


1901: Prudhomme • 1902: Mommsen • 1903: Bjørnson • 1904: F.Mistral, Echegaray • 1905: Sienkiewicz • 1906: Carducci • 1907: Kipling • 1908: Eucken • 1909:Lagerlöf[/b] • 1910: Heyse • 1911: Maeterlinck • 1912: Hauptmann • 1913: Tagore • 1915: Rolland • 1916: Heidenstam • 1917: Gjellerup, Pontoppidan • 1919: Spitteler • 1920: Hamsun • 1921: France • 1922: Benavente • 1923: Yeats • 1924: Reymont • 1925: George Bernard Shaw

Retirado de Sapo Saber a 21-10-2009

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