Pessoa

Victorien Sardou

Victorien Sardou (Paris, 5 de Setembro de 1831 — Paris, 8 de Novembro de 1908) foi um escritor dramático francês, conhecido pelas suas comédias, boa parte delas traduzidas para português, constituindo parte frequente do ...

Victorien Sardou ( Paris, 5 de Setembro de 1831 — Paris, 8 de Novembro de 1908) foi um escritor dramático francês, conhecido pelas suas comédias, boa parte delas traduzidas para português, constituindo parte frequente do reportório do teatro amador. É autor de peças de teatro em que se baseiam os libretos das óperas Tosca e Fedora.

Biografia


Originário de uma família modesta, que possuía um olival em Cannet, próximo de Cannes. Depois de um inverno rigoroso, em que a geada causou grandes danos nas oliveiras, a família ficou arruinada. O pai de Victorien, Antoine Léandre Sardou, resolve então instalar-se em Paris, onde foi sucessivamente contabilista, professor de contabilidade, director de uma escola privada e preceptor. Para complementar seus rendimentos, publicava manuais de gramática, dicionários e tratados sobre diversos assuntos. Como seus ganhos fossem insuficientes, Victorien cedo foi obrigado a granjear sua própria subsistência, vendo-se obrigado a abandonar o cursos de medicina que tinha começado.

Para sobreviver, Victorien Sardou recorre ao ensino do francês a alunos estrangeiros, e a dar explicações de latim, de história e de matemática. Também escrevia artigos para enciclopédias populares.

Enquanto isso, esforçava-se por vencer no campo da escrita. Seus primeiros ensaios foram pouco encorajadores, tendo tentado, sem sucesso, atrair a atenção da actriz Elisabeth Rachel Félix, a famosa Rachel, enviando-lhe o drama La Reine Ulfra, baseado numa antiga crónica sueca.

Sua estreia teatral foi particularmente difícil: sua primeira peça a ser levada à cena, La Taverne des étudiants, foi representada no Odéon, em 1 de Abril de 1854, mas recebeu um acolhimento tempestuoso, pois tinha corrido o boato que o autor tinha sido contratado pelo governo para provocar os estudantes. A peça foi retirada de cena depois de apenas cinco representações.

Um outro drama, Bernard Palissy, foi caeite pelo Odéon, mas uma mudança de gerência levou ao anulamento do contrato. Outra peça, com um tema relacionado com o Canadá, intitulada Fleur de Liane, deveria ser levada à cena no Théâtre de l'Ambigu, mas a morte do director daquele teatro gorou o projecto. A obra Le Bossu, escrita de propósito para Charles Albert Fechter, não agradou ao actor e quando finalmente subiu à cena, com sucesso, a autoria foi atribuída erroneamente a outrem.

A peça Paris à l'envers, submetida à apreciação de Adolphe Lemoine, director do Théâtre du Gymnase Marie Bell, foi por ele rejeitada, a conselho de Eugène Scribe, que considerava revoltante a cena de amor, que depois ficaria célebre na peça Nos Intimes.

Sardou encontrava-se na miséria, quando, para piorar as coisas, sofreu um ataque de febre tifóide, que o deixou à beira da morte. Metido no seu miserável quarto, rodeado dos manuscritos rejeitados, quando já desesperava de se salvar, foi socorrido por uma mulher que vivia no mesmo prédio. Esta alma caridosa chamava-se Laurentine de Brécourt, a qual tinha amizades nos meios teatrais, nomeadamente com a célebre actriz Virginie Déjazet, com da qual era amiga íntima. Quando Victorien Sardou se restabeleceu, foi-lhe apresentado pela sua amiga. Em consequência desse encontro, a velha actriz deixa-se encantar pelo jovem autor, tomando nas suas mãos o lançamento da sua carreira. Victorien Sardou casaria entretanto com Laurentine de Brécourt.

Especificamente para Sardou e para as suas peças, a já idosa actriz adquire, em 1859, um teatro, as Folies Déjazet, sito no n.º 41 do boulevard du Temple, então rebaptizado Théâtre Déjazet. Para cobrir o custo de exploração, ela vê-se obrigada a retomar as suas tournées pela Europa.

A peça Candide, a primeira peça escrita por Virginie Déjazet, foi interdita pela censura, mas as três peças seguintes, escritas quase em simultâneo, – Les Premières Armes de Figaro, Monsieur Garat, Les Prés Saint-Gervais – tiveram um grande sucesso. O mesmo aconteceu com a obra Les Pattes de mouche ( 1860), que foi levada à cena no prestigioso Gymnase.

Victorien Sardou rapidamente ombreou com os dois mestres do teatro de então, Émile Augier e Alexandre Dumas (filho). Embora não tivesse o sentido do cómico ou a eloquência e a força moral do primeiro, ou a convicção apaixonada e os espírito acutilante do segundo, ele revelou-se um mestre do diálogo. As suas réplicas desenvolviam-se com inspiração e ritmo.

Na sua obra Sardou aplicou os princípios construtivos de Eugene Scribe (1791-1861), combinando os três géneros dramáticos clássicos – a comédia de carácter, a comédia de situação e a comédia de intriga – com o drama burguês. No processo, demonstra grande habilidade, produzindo peças sólidas e dramaticamente bem construídas, voltando-se frequentemente para o campo da sátira social.

Nas suas peças ridiculariza a burguesia egoísta e vulgar, como na obra Nos intimes ( 1861), os velhos celibatários nos Les Vieux Garçons ( 1865), os Tartufos modernos em Séraphine ( 1868), os camponeses em Nos Bons Villageois ( 1866), os velhos costumes e os princípios políticos reaccionários em Les Ganaches ( 1862), o espírito revolucionário e aqueles que se deixam dominar por ele em Rabagas ( 1872) e em Le Roi Carotte ( 1872) e as leis e costumes sobre o divórcio em Divorçons! ( 1880).

Fedora ( 1882), que deu origem ao homónimo chapéu, foi escrita propositadamente para Sarah Bernhardt, tal como aconteceria com muitas das peças posteriores. Os direitos da obra foram, depois, vendidos a Umberto Giordano, que transformou-a na ópera de sucesso Fedora. Victorien Sardou vai alterando o seu estilo, renovando-se através da introdução nas suas peças de elementos de carácter histórico, geralmente de forma muito superficial. Foi o caso da peça Théodora ( 1884) pretensamente baseada numa crónica bizantina e de La Haine ( 1874), situada no contexto da Itália medieval. No caso da peça La Duchesse d'Athènes, o ambiente é o da Grécia medieval.

A peça Patrie ( 1869) evoca o levantamento em armas dos camponeses holandeses de finais do século XVI, enquanto La Sorcière ( 1904) se desenrola na Espanha do século XVI. A Revolução Francesa serve de enquadramento a três peças: Les Merveilleuses, Thermidor ( 1891) e Robespierre ( 1902), esta última escrita especialmente para Sir Henry Irving. A época imperial francesa é revivida na Tosca ( 1887) e na celebérrima Madame Sans Gêne ( 1893). Na mesma linha de representação histórica situam-se as peças Dante (1903), La Pisie ( 1905) e Le Drame des poisons ( 1907).

Pela qualidade da sua obra, Victorien Sardou foi eleito para a Académie Française em 1877.

Victorien Sardou casou com Laurentine Eléonore Désirée de Moisson de Brécourt, que faleceu apenas 8 anos depois. Voltou a casar em 1872 com Marie Anne Corneille Soulié (1845-1923), filha do erudito Eudore Augustin Soulié e de Marie Catherine Joséphine Vila. Uma sua filha casará com o autor dramático Robert de Flers.

Retirado de Sapo Saber a 03-04-2011

Comentários