Artigo

"Os Poemas da Minha Vida": Antologia junta poemas de Camões, Amália e José Luís Peixoto

A antologia "Os Poemas da Minha Vida", de Mário Assis Ferreira, diretor da revista Egoísta, que inclui poemas de Vasco Graça Moura e de Sophia de Mello Breyner, é apresentado na próxima quarta-feira, em Lisboa.

Esta obra "reflete no seu universo o gradualismo da minha aprendizagem na poesia, a cronologia do meu amadurecimento sensitivo, a transversalidade de múltiplos estilos e complexidades narrativas que, indelevelmente, me marcaram", explicou à Lusa o autor, que preside ao conselho de administração da Estoril-Sol.

A obra é apresentada na próxima quarta-feira às 18:00 no El Corte Inglés, em Lisboa, por Isabel Ponce de Leão, doutorada em Literaturas Hispânicas, pela Universidade de Coimbra.

"Os poetas que escolhi, os cinquenta poemas que selecionei, os comentários que sobre cada um deles escrevi, plasmam, de algum modo, retratos de sentimentos que me afloraram na vida: cantam-me a nostalgia da portugalidade, mas recordam a parcela de mim próprio que deixei em oito anos de Brasil", segundo o autor.

"São poetas novos, contemporâneos, de Pedro Mexia a José Luís Peixoto, de Inês Pedrosa a Francisco José Viegas. São poetas consagrados, de Nuno Júdice a Vasco Graça Moura, de Sophia de Mello Breyner a Manuel Alegre", referiu.

Assis Ferreira incluiu "poetas académicos, tais como Fernando Pinto do Amaral e Gastão Cruz" e também "poetas cujo estatuto os eleva ao limiar de históricos, tais como Camões, António Nobre, Fernando Pessoa, Cesário Verde, Mário de Sá Carneiro, Carlos Drummond de Andrade", e "nem sequer poderiam faltar ‘fadistas-poetas', como Amália Rodrigues, ou poetas musicólogos, como Ary dos Santos".

Referindo-se a estes poetas Assis Ferreira revelou: "Leio esses e tantos outros poetas, com prazer e devoção. Sem disfarçar, por vezes, a picardia de alguma inveja".

"Não da inveja corrosiva, a que anseia destruir o que lhe é superior; mas de uma inveja benigna, a que é feita de admiração sem esperança! Pois que, modesto escriba, nunca logrei ultrapassar as fronteiras da simples prosa: quando tento voar para o sol da poesia, eis que as asas se me derretem, qual Ícaro desajeitado", esclareceu.

O ano passado, em outubro, Assis Ferreira publicou o livro "Egoísta - mas não só", no qual reuniu 61 editoriais da revista Egoísta, que dirige desde a sua fundação, em 2000.

Referindo-se a esta sua faceta, Assis Ferreira referiu: "Na confeção da prosa, resta-me o refúgio na tentativa da diferença. Como se fora o coração a escrever e a razão a pautar. Como se fora a incessante busca no cristalizar de um estilo. E nele, enfim, vislumbrasse a esperança de que o estilo possa ser a poesia da prosa".

Sobre o seu gosto pela poesia, Assis Ferreira contou: "Lia poesia ao sabor dos estados de alma: noctívago de nascença, era a lua a aconselhar-me entre o lúdico prazer de uma leitura descomprometida e o intricado desafio de uma reflexão mais profunda", que o levou à publicação d'"Os Poemas da Minha Vida".

Comentários