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"Burroteca" e "aulas do burro" alertam para proteção da raça no Festival Bons Sons

Em Cem Soldos, no concelho de Tomar, um burro carregado de livros não é um doutor, mas uma biblioteca itinerante a levar histórias aos festivaleiros que até segunda-feira invadem a aldeia palco do Festival Bons Sons.

A prova de que o burro “é um parceiro ativo na divulgação da cultura” pode encontrar-se hoje ao final da tarde pelas ruas de Cem Soldos, no concelho de Tomar, onde, por entre o público do Festival Bons Sons passeará um burro carregado de livros.

“Não é um doutor, é uma burroteca”, explica Joana Braga, dirigente da Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino (AEPGA), que este ano levou ao Festival quatro burros para dar a conhecer a raça autóctone do Planalto Mirandês que há 15 anos a associação tenta proteger.

Lourenço, Ateneu, Zebro e Iscalhão são os burros que em Cem Soldos assumem o papel de professores, na aula do burro que todas as manhãs é dada no curral da aldeia, ensinando aos festivaleiros “a sua ecologia, os cuidados, necessidades e os costumes a eles associados”, revelou a mesma responsável.

A matéria, dada à sombra de árvores, com os alunos sentados em mantas no chão, é simples, mas tem por trás um grande objetivo de contribuir para a proteção e conservação da raça que há 15 anos estava em risco de extinção, com “apenas oito nascimentos por ano”.

Fruto do trabalho da associação e de uma maior consciencialização da população nascem atualmente “60 a 70 animais por ano”, mas, ressalvou Joana Braga, “com menos de mil fêmeas existentes a raça continua ameaçada”.

Por isso mesmo, depois de estar dois anos sem participar no Bons Sons, que decorre na aldeia até segunda-feira, a AEPGA quis voltar a Cem Soldos para chamar a atenção para as “diversas utilizações que o burro tem hoje”, afirmou.

Entre elas, exemplificou, “terapeuta” usado na “azinamediação para crianças com necessidades especiais, para ajudar a ultrapassar traumas ou como facilitador de aprendizagens não formais”.

Em Cem Soldos, os burros são também “guias turísticos” nos passeios matinais que as famílias são convidadas a fazer ao redor da aldeia. Passeios, sublinha Joana, “com burros e não de burro”, porque na albarda desta raça protegida “só as crianças” tem direito a sentar-se durante uma pequena parte do percurso.

Os passeios, a aula do burro e a burroteca são algumas das atividades para famílias disponibilizadas pelo Festival Bons Sons, onde todas as manhãs começam com música para crianças até aos seis anos.

Workshops para grávidas, oficinas de precursão e os jogos do Hélder são outras das propostas para ocupar as manhãs dos cerca de 35 mil festivaleiros esperados na aldeia.

No que toca ao cartaz, hoje atuam, nos oito palcos da aldeia, Né Ladeiras, Mão Morta, Throes + The Shine, Lúcia Vives e João Raposo, Filipe Valentim, Filipe Sambado, Les Saint Armand, Señoritas e Madeiro/Lucas.

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