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Cartas, poesia, história e ficção nas novidades literárias de novembro

A publicação da correspondência entre José Saramago e Jorge Amado, o início das “Obras completas de Luíz Vaz de Camões” e a história do atentado falhado a Salazar são algumas das novidades editoriais de novembro.

A editora E-Primatur vai publicar o primeiro volume das “Obras Completas de Luiz Vaz de Camões”, “Épica e cartas”, um projeto editorial que pretende colmatar a ausência em Portugal de uma edição das obras completas do “poeta nacional por excelência”.

Trata-se de uma edição preparada pela professora universitária Maria Vitalina Leal de Matos, que inclui a biografia de Camões, uma introdução que contextualiza a obra e a produção do autor e notas que permitem perceber o significado e referências da época, numa edição pensada para um público transversal.

A mesma editora publica “A vida e o sonho – Antologia essencial de Raul Brandão”, ainda a propósito do 150.º aniversário do autor, com introdução, organização e notas de Vasco Rosa, bem como o primeiro volume da “Ficção Curta Completa” de H.G. Wells, considerado “o pai da ficção científica moderna”, que dá a conhecer pela primeira vez aos portugueses a amplitude total da obra deste escritor.

Por seu lado, a editora Guerra e Paz vai publicar num só volume as cartas trocadas ao longo de 50 anos por Hannah Arendt e Martin Heidegger – cartas de amor, de amizade, de uma troca intelectual – “um extraordinário documento para a compreensão do século XX”.

No que respeita ainda a correspondência, a Companhia das Letras, chancela do grupo Penguin Random House, lança “Com o Mar por Meio”, a compilação e publicação inédita das cartas, bilhetes, cartões, e mensagens trocadas ao longo de seis anos por José Saramago e Jorge Amado, nas quais se encontram questões relacionadas tanto com a vida íntima como da conjuntura contemporânea.

Ainda na Companhia das Letras, são publicados “Os cem melhores poemas portugueses dos últimos cem anos” - que reúne textos de autores como Fernando Pessoa, Camilo Pessanha, Jorge de Sena, Fiama Hasse Pais Brandão, Luiza Neto Jorge, Ana Hatherly, entre muitos outros –, “Jalan Jalan”, o novo livro de Afonso Cruz, que reúne textos filosóficos, poéticos e pensamentos sobre a sociedade atual, e “Verdade Tropical”, um livro de memórias de Caetano Veloso, publicado pela primeira vez em 1997 e revisitado agora pelo autor, quando cumpre 75 anos.

A Objetiva publica “A hora mais negra”, de Anthony McCarten, que traça o perfil de Winston Churchill, um livro que deu origem a um filme, interpretado por Gary Oldman, com estreia em Portugal a 08 de janeiro.

A Tinta-da-China vai lançar uma compilação de crónicas de Ricardo Araújo Pereira, “Reaccionário com Dois Cês”, “Matar Salazar”, um ensaio de António Araújo sobre o atentado falhado ao chefe de Governo do Estado Novo, “Constantinopla”, de Edmondo de Amicis, mais um livro da coleção de Viagens de Carlos Vaz Marques, e “Bilac vê estrelas” de Ruy Castro, no seguimento da publicação da obra deste autor brasileiro em Portugal.

Ainda na mesma editora, são esperados para o mês de novembro uma “Antologia de Poesia Erótica Brasileira”, “Sombras de Sombras”, de Adam Zagajewski, um novo titulo da coleção de poesia de Pedro Mexia e primeiro livro deste autor em Portugal, numa edição bilingue em português e polaco, bem como uma nova edição de “O meu pipi – Diário”.

A editora Antígona vai publicar mais um livro de Eduardo Galeano, “Mulheres”, que se debruça sobre o fulgor de figuras femininas movidas por causas, como Joana D’Arc, Frida Kahlo, Eva Perón ou as mães da Praça de Maio, mas também sobre façanhas coletivas, como as das mulheres que lutaram na revolução mexicana e na comuna de Paris.

“Um candidato idóneo”, ensaios e artigos de Mark Twain, e “Europeana”, uma breve história do século XX, da autoria de Patrik Ouredník, são as outras publicações previstas nesta editora.

A Cotovia lança as “Epístolas”, de Horácio, e, na coleção Leituras de um Mito, publica um livro dedicado a “Eco e Narciso”, com organização de Abel N. Pena.

Na Elsinore, o galês Cynan Jones “volta a mostrar a sua delicadeza literária” em “A Baía”, sobre um homem que tenta perceber quem é depois de ser apanhado por uma tempestade.

Na área do ensaio, esta editora vai lançar “Otimismo e Não Desespero”, do linguista Noam Chomsky, sobre os desafios da contemporaneidade, desde a ascensão do neoliberalismo à crise dos refugiados, passando pelas últimas eleições americanas.

A Caminho, do grupo Leya, vai publicar ao longo do mês o novo livro de Mia Couto, “O bebedouro do horizonte”, terceiro da trilogia “As areias do Imperador”, o novo livro de Kalaf Epalanga, “Os brancos também sabem dançar” e uma edição especial de “O Reino”, de Gonçalo M. Tavares.

Na D. Quixote, é esperada a edição em português do novo livro de John Green, autor de “A culpa é das estrelas”, que lança um novo romance cinco anos depois, intitulado “Mil vezes adeus”.

Ainda no mesmo grupo editorial, vão ser publicados o romance “Os Loucos da Rua Mazur”, de João Pinto Coelho, vencedor do Prémio LeYa deste ano, e o novo livro de Deana Barroqueiro, “1640”, sobre “um marco fundamental na História de Portugal, o da Restauração da Independência”.

O grupo Porto Editora vai lançar na Assírio & Alvim “A Noite”, peça de teatro de Manuel António Pina, a “Poesia Completa” de Mário Cesariny, pela primeira vez num só volume, e “Teatro Escolhido” de Almada Negreiros.

Na Porto Editora sai “Cronovelemas”, de Mário de Carvalho, e na Livros do Brasil, “Um dia diferente”, de John Steinbeck, há muito esgotado.

A Relógio d’Água prossegue com a publicação da obra completa de Agustina Bessa-Luis, lançando “Deuses de Barro” e “O Mosteiro”, para além de lançar um livro de contos de Ana Margarida Carvalho, “Pequenos delírios domésticos”, bem como um novo livro de António Barreto, intitulado “De Portugal, para a Europa”.

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