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Gonçalo Salgueiro estreia-se a solo no grande auditório do Centro Cultural de Belém

O fadista Gonçalo Salgueiro estreia-se a solo no grande auditório do Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, na sexta-feira, num espetáculo em que vai apresentar os álbuns “Sombras e Fado” (2016) e “Mãe” (2017).

“Vai ser uma noite de fado, em que irei apresentar os meus dois álbuns mais recentes, em que o tema de ligação é a minha mãe, ‘Sombras e Fado’ saiu no final do ano passado, e ‘Mãe’, em outubro, no qual a temática materna é o traço de ligação dos fados”, afirmou o fadista.

Em “Mãe”, Gonçalo Salgueiro gravou letras de sua autoria, como “Homem Triste”, “Preso em Mim”, “Eutanásia dos Sentidos”, ou “Na Praia da Solidão”, mas também poemas de Miguel Torga, João Linhares Barbosa, João Fezas Vital e Jorge Fernando, entre outros autores.

No palco belenense, Gonçalo Salgueiro é acompanhado pelos músicos Sandro Costa, na guitarra portuguesa, Ivan Cardoso, na viola, e Ricardo Anastácio, na viola-baixo, e tem como convidados especiais Lenita Gentil, Luísa Rocha, André Baptista e Lino Ramos, que vão cantar poemas de sua autoria.

O espetáculo insere-se no ciclo "Há Fado no Cais", uma parceria do CCB com o Museu do Fado, no âmbito da qual se têm realizado regularmente espetáculos de fado neste equipamento cultural.

Em declarações à agência Lusa, em março do ano passado, Gonçalo Salgueiro qualificou o álbum “Sombras e Fado”, editado pela CNM, como “não convencional” e "uma viagem", que procurou que não fosse monótono, "apesar do sabor amargo” que sentiu.

“Quis fazer algo para agradecer às pessoas e dar-lhes os ambientes mais diversos possíveis, para não ser um disco monótono, e ter-me presente o mais possível”, disse o fadista, que explicou que o “sabor amargo” que sente deve-se ao facto da morte da mãe, uma situação que “está bastante explícita no CD, que lhe é totalmente dedicado”.

O álbum “Mãe” marcou o regresso da etiqueta discográfica Estoril à edição de originais, nove anos depois da morte do seu fundador, Manuel Simões (1917-2008).

“Gravar este CD foi uma forma de exorcizar as dores de um luto, e partilhar este sentimento com outras pessoas”, disse o fadista, em outubro passado à Lusa, referindo-se à morte da mãe.

Dos 14 fados que compõem o CD, nove têm letra de Gonçalo Salgueiro, que abre o alinhamento com “Mãe”, um poema de Miguel Torga, que gravou numa melodia de Frei Hermano da Câmara.

Gonçalo Salgueiro, com cinco álbuns de fado editados e distinguido com um Prémio Amália Tributo, tem participado como protagonista em vários musicais de Filipe La Féria, nomeadamente "Amália", "Jesus Cristo Superstar", "Fado, História de um Povo", entre outros.

Gonçalo Salgueiro, que estudou música, atuou em várias casas de fado de Lisboa, tendo editado o primeiro álbum "No tempo das cerejas", em 2002. Quatro anos depois surgiu o CD "Segue a minha voz", que reeditou em 2012 numa edição em que incluiu duetos com Fernanda Maria e Beatriz da Conceição. Em 2009 editou o CD/DVD homónimo "Gonçalo Salgueiro", em que se revela como autor de versos para o fado.

O musicólogo Rui Vieira Nery chamou à atenção para a sua voz, que qualificou como "especialíssima" e "um dos timbres mais bonitos que têm aparecido no fado nos últimos anos".

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