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Julgamento de Bill Cosby: Deliberações do júri chegam ao quinto dia num impasse

O júri do processo de agressão sexual contra o ator Bill Cosby continuou as suas deliberações na sexta-feira, quando fez várias perguntas ao juiz, sinal de que ainda é possível que cheguem a um veredito.

Os 12 membros do júri já passaram 43 horas - ao longo de cinco dias - a tentar determinar se o ator deve ser condenado por drogar e agredir sexualmente Andrea Constand, de 44 anos, na sua mansão na Filadélfia em janeiro de 2004.

Cosby, que fará 80 anos no mês que vem, pode ter de passar o resto da vida na prisão, se for declarado culpado de três acusações de agressão sexual agravada contra Constand.

O júri disse ao juiz Steven O'Neill, na passada quinta-feira, que as deliberações estavam num impasse, mas o magistrado da Pensilvânia ordenou que o grupo continuasse a debater para tentar chegar a um acordo unânime, sem determinar um prazo.

Esta sexta-feira, o painel solicitou ao juiz que defina com maior precisão o conceito de "dúvida razoável".

Segundo a lei norte-americana, qualquer aplicação do termo "dúvida razoável" significaria que o júri deve absolver o acusado.

Os jurados também pediram para ouvir excertos da declaração feita por Cosby em 2005. Nela, o réu afirma ter dado o sedativo Quaaludes (metaqualona) a uma mulher em Las Vegas em 1976, antes de ter relações sexuais com ela, e que usou o remédio com outras mulheres.

Horas depois, no início da tarde, o júri também pediu ao juiz para ouvir novamente o depoimento de Gianna Constand, a mãe de Andrea, relacionado com a sua primeira conversa telefónica com Bill Cosby, assim como um excerto do depoimento da própria Andrea Constand.

O juiz apontou que as perguntas eram prova de que o júri continua a fazer o seu trabalho com o objetivo de chegar a um veredito.

Anulação do processo 

O advogado principal de Cosby, Brian McMonagle, pediu que o juiz anule o processo, considerando que as deliberações já duraram tempo demais.

"Pedem-nos para ouvir outra vez todo o julgamento", reclamou o advogado.

O juiz respondeu que não tem a intenção de interromper o trabalho do júri porque a lei da Pensilvânia não lhe dá essa atribuição, e rejeitou novamente o pedido de anulação do julgamento, feito várias vezes pela defesa nas últimas horas.

A espera do veredito elevou a tensão em frente ao tribunal em Norristown, nos arredores da Filadélfia.

"Você é uma vergonha", gritou uma mulher para Cosby, quando o ator estava a entrar no edifício.

"Cale-se!", responderam os simpatizantes da estrela, que a esperavam perto da entrada para a apoiar.

Embora o julgamento tenha que ver apenas com o caso de Andrea Constand, 60 mulheres garantem ter sido vítimas sexuais do comediante, fazendo acusações similares que cobrem um período de cerca de quatro décadas. Nessas situações, não há possibilidade de processo, uma vez que já prescreveram.

Cosby foi idolatrado por várias gerações de norte-americanos pelo seu papel como Cliff Huxtable, um respeitável pai e ginecologista na série de televisão "The Cosby Show".

Se o painel de sete homens e cinco mulheres não chegar a um veredito, O'Neill será obrigado a declarar "júri em desacordo", abrindo a possibilidade de um novo julgamento.

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