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Super Bock Super Rock: Por tudo e Pernadas

Coube a Bruno Pernadas e à sua banda subir ao Palco EDP para iniciar o último dia do Super Bock Super Rock, num concerto que suscitou muito entusiasmo. A ascensão meteórica tem despertado curiosidade em Portugal, mas acaba por ter réplicas pelo mundo inteiro, como contou o músico em entrevista ao SAPO Mag.

SAPO Mag: Numa entrevista, disseste que não estavas à espera de participar em tantos festivais. Como é que tem sido este teu verão?
Bruno Pernadas: Também não têm sido muitos na verdade. Têm sido alguns festivais, mas tenho andado a tocar bastante com este grupo e com o grupo de jazz do Worst Summer Ever. Aliás, até há mais concertos com esse grupo, por ser mais pequeno e mais fácil toda a logística. Então temos tocado mais com esse grupo. Este como é maior, não temos tido muitos concertos.

SAPO Mag: Mas também é mais difícil de conciliar, por estarem envolvidos em vários projetos.
Bruno: Nunca é difícil, porque também há sempre pessoas que não podem numa determinada data, mas nós temos substitutos para quase toda a gente.

SAPO Mag: E o que é que te levou a escolher o "Crocodiles" para hoje? (versão resumida para o título do álbum "Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them")
Bruno: Porque é o disco mais recente e faz mais sentido apresentar esse disco aqui. Sendo que tocámos duas músicas do primeiro disco.

SAPO Mag: Uma das singularidades do jazz é a própria capacidade para se multiplicar em sons e em subgéneros. E aqui acaba por encaixar no próprio estilo do Super Bock Super Rock.
Bruno: Também não é uma banda de jazz, mas sim de fusão. Tem jazz e vários estilos. Mas, sim, se calhar é o grupo português que tem mais diversidade a nível sonoro. Mas como as pessoas gostam das músicas não ligam muito a isso.

SAPO Mag: É quase uma tendência perder a necessidade de rotulares bandas e associá-las a vários estilos.
Bruno: Acabas por ter poucas bandas de fusão. O que acho que existe é uma diversidade na programação dos festivais. Há 15, 20 anos atrás só havia grupos de rock ou de funk... Não havia tanta diversidade, era muito menos programado grupos de R&B e de hip hop. E em Portugal era muito menos.

SAPO Mag: Há uma fotografia que puseste no Facebook de um cartaz no Japão. Já surgiu algum convite para ires lá?
Bruno: Não foi bem convite, fomos nós que lhes enviámos um mail a perguntar se podemos tocar aí [risos]. E eles disseram que sim e que em 2018 seria muito possível fazermos uma tour no Japão.

SAPO Mag: E também temos visto o facto do Bruno Pernadas se multiplicar pelo mundo inteiro.
Bruno : Não é no mundo inteiro. É o Brasil e o Japão. São os sítios onde a música é mais consumida. Porque nós conseguimos ver no rating das vendas onde as pessoas ouvem mais a música, que é no Japão e no Brasil. Depois há casos curiosos. No Havai, pela Hawai Public Radio, eles passam a minha música e depois passam no Tennessee... Não sei como. E Japão e Brasil.

SAPO Mag: E como vês isso?
Bruno: No Japão não me surpreende assim tanto. Surpreende que tenha conseguido. Mas nós não fizemos nada por isso. No Brasil, há um site de um rapaz que conhece o João Paulo Feliciano que é da editora Pataca Discos, que conheceu a música, partilhou-a e como tem muitos consumidores... E muitos consumidores japoneses... E há uma distribuidora japonesa, a maior delas todas, que não me lembro do nome e ouviu e quis vender os meus CDs. E continuam a ser vendidos. Aliás, foi graças ao Japão que nós conseguimos cobrir o nosso investimento financeiro nos discos. Foi no Japão e não em Portugal. Mas nos concertos por cá costuma vender bem.

SAPO Mag: O que costumas ouvir no dia-a-dia e que ninguém esteja à espera?
Bruno: Ui, varia tanto. É mais fácil dizer o que eu ouvi anteontem.

SAPO Mag: Então, o que ouviste anteontem?
Bruno: [risos] Então, anteontem ouvi uma cantora canadiana Nadia Rate. Mas depois ouvi um grupo de dois irmãos que só lançaram um disco quando eram teenagers... Uma banda que se chama Tennis que é um casal de Denver e depois tive de ouvir muito hip hop porque houve uma amiga minha que queria conhecer mais coisas de hip hop. Então enviei-lhe uma lista de coisas de hip hop que vai desde ATM até Matt Fright Night que é uma banda de hip hop de Brooklyn, que pouca gente conhece, mas eles aparecem na banda sonora de "Kit", do Larry Clark. Arrested Development... Uma cantora muito jovem da Califórnia chamada Gavlyn e pronto. Coisas assim.

SAPO Mag: E acabas por te inspirar em alguma coisa dos dias de hoje para compores?
Bruno: Às vezes, mas nada de muito concreto.

SAPO Mag: Hoje tens alguma curiosidade em ver alguma banda?
Bruno: Não, hoje não. Quer dizer, se calhar ouvir esta banda do Tom Barman [Taxiwars].

SAPO Mag: Pergunta clichê. Qual foi o teu melhor verão?
Bruno: O melhor? [risos] Houve um verão muito bom em que trabalhei muito pouco e fiz muita praia. Houve um verão que fomos para o Festival Músicas no Mundo, de Sines. Fomos com muita antecedência, tínhamos carrinhas e caravanas. Então ficámos ao pé da praia a dormir e a viver. Esse verão foi muito bom, muito tranquilo. Não havia pressas. Se houvesse um concerto fixe nós íamos. Tudo com muita calma. Mas tive de vir a Lisboa comprar um teclado. Mas depois voltei. [risos]

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