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CNE decidiu queixas contra RTP em pouco tempo devido a urgência do tema

O presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE) disse hoje à agência Lusa que as queixas contra a RTP foram decididas em pouco tempo devido à urgência do assunto, que de outra forma “perder-se-ia”.

O PS e o PCP apresentaram, na quarta e quinta-feira, respetivamente, queixas à CNE por considerarem que a RTP não está a garantir a igualdade de tratamento entre os líderes político-partidários ao ter combinado transmitir uma entrevista ao líder do PSD e primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, no programa "O País Pergunta", no dia 10 – antes das eleições autárquicas e do Orçamento do Estado para 2014.

Na quinta-feira, a CNE pronunciou-se a favor das queixas. O diretor de informação da RTP, Paulo Ferreira, estranhou que a CNE tenha tomado uma decisão sete horas depois de ter notificado a televisão estatal, não lhe dando tempo para exercer o contraditório.

Hoje, em declarações à Lusa, o presidente da CNE, Fernando Costa Soares, afirmou que a urgência do tema a isso obrigou. “O assunto era urgente e tínhamos que ter uma deliberação atempada e oportuna. De outra maneira perder-se-ia”, disse.

Fernando Costa Soares referiu que a CNE “teve conhecimento dos moldes do programa a ser efetuado, o que era fundamental para a deliberação”.

O presidente da CNE esclareceu que a queixa do PCP deu entrada “muito em cima” da reunião onde o assunto foi discutido. “Praticamente no começo da reunião”, afirmou.

A Lusa tentou perceber o que poderá acontecer caso a RTP decida fazer a entrevista a 10 de setembro. “Sobre isso não posso adiantar nada. Não sei se vai fazer se não, não sei os termos em que o fará. Estas coisas podem ser mudadas ou readaptadas. Não sabemos o que se vai passar, não podemos fazer futurologia”, referiu Fernando Costa Soares.

A CNE considerou que "um programa de entrevistas com responsáveis políticos, com o formato anunciado pela RTP, apenas pode ter lugar fora dos períodos eleitorais", segundo a notificação enviada ao canal televisivo, a que a Lusa teve acesso.

@Lusa

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