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Emmys: Estrelas de Hollywood brilham cada vez mais na TV

Kevin Spacey, Matthew McConaughey, Woody Harrelson... Os artistas que disputam os Emmys nesta segunda-feira, em Los Angeles, mostram que a televisão abre cada vez mais as portas para os grandes nomes de Hollywood. Já o caminho oposto não é tão fácil.

Nomeado para o Emmy de melhor ator dramático pelo seu papel de polícia obcecado na série "True Detective", Matthew McConaughey ganhou o Óscar em março deste ano pelo seu trabalho em "O Clube de Dallas".
Kevin Spacey, que compete como o manipulador político da série do Netflix "House of Cards", já tem dois Óscares na estante - "Beleza Americana" (1999) e "Os Suspeitos do Costume" (1995).

Para os atores, participar numa série televisiva acrescenta um prestígio extra às suas já bem-sucedidas carreiras. E, embora estas transições sejam cada vez mais frequentes, fazer o caminho inverso - da TV para o cinema - continua a ser muito difícil. George Clooney, que saiu da série "ER - Serviço de Urgência" para o topo de Hollywood, "é o único que realmente conseguiu isso", destaca o professor Glenn Williamson, da Escola de Cinema da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA).

Sarah Jessica Parker e as suas amigas de "O Sexo e a Cidade", assim como a estrela de "Ficheiros Secretos" Gillian Anderson, têm feito alguns filmes, mas a carreira cinematográfica segue discreta.

Fora Jennifer Anniston, as restantes estrelas da série "Friends" ainda não conseguiram brilhar no cinema. O mesmo acontece com os artistas de séries de sucesso, como "Donas de Casa Desesperadas" e "Perdidos".

A atriz Kerry Washington, celebrada tanto por seu papel em "Django Libertado", de Quentin Tarentino, como pela série dramática "Scandal", é uma das poucas que consegue transitar entre os dois universos. O mesmo acontece com Claire Danes, famosa pela sua atuação na versão de Romeu e Julieta de Baz Luhrmann (1996) e, agora, aclamada pela série "Segurança Nacional".

Papéis que se colam à pele

Quando séries aclamadas como "Mad Men" ou "Breaking Bad" chegam ao fim, é grande a expectativa para ver se os seus populares protagonistas - Jon Hamm (nomeado para o Emmy de melhor ator) e Bryan Cranston (vencedor do Emmy nas últimas três edições), respetivamente - terão o mesmo bom desempenho no cinema.

"Não importa se é muito conhecido. Um papel no cinema dura apenas duas horas", disse a professora de Crítica Ellen Seiter, da Universidade do Sul da Califórnia (USC). "Já as personagens das séries de TV acompanham-nos durante meses, às vezes, durante anos. Ficam intrinsecamente colados à pele dos atores", apontou.

Tom Nunan, fundador da produtora B.E.E. e professor da Escola de Cinema da UCLA, observou que os atores cómicos costumam navegar melhor da TV para o cinema do que os atores dramáticos. Exemplos disso são Tina Fey, Steve Carell, Amy Poelher, Mila Kunis e Chris Pratt. Este último lidera as bilheteiras em "Os Guardiões da Galáxia".
Além disso, acrescenta Tom Nunan, nos últimos anos, Hollywood tem preferido concentrar-se na produção de comédias, filmes de ação, ou de super-heróis das histórias de BD, o que significa uma limitação para os atores de TV que querem explorar o mundo do cinema.
Como consequência, afirma Nunan, "as produções de ficção dramática nos Estados Unidos estão a ser retomadas pela televisão", o que resulta em trabalhos com cada vez mais qualidade. Por isso, "não deveria surpreender-me ao ver estrelas do calibre de Kevin Spacey, ou Matthew McConnaughey, na festa dos Emmys", completou o professor.

@AFP

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