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Há uma nova saga familiar no reino da Dinamarca

A televisão pública dinamarquesa, conhecida por produzir séries elogiadas como "Borgen", "The Killing" e "Bron/Broen", espera manter a boa reputação com uma nova saga familiar, ambientada nos anos 1960.

"Arvingerne" ("Os Herdeiros" em dinamarquês, vendida internacionalmente como "The Legacy") acompanha a história de quatro irmãos adultos após a morte da sua mãe, uma artista excêntrica que decide deixar a sua casa de Gronnegard a uma menina abandonada e que os protagonistas não conhecem.

"A série retrata uma família moderna e é uma descrição da geração de 1968 e dos seus filhos", afirma o site do canal público dinamarquês DR. "Percebemos que havia uma história que não tinha sido contada, de como nos anos 1960 e 1970 mudaram a nossa concepção de mundo e da família", disse à AFP a diretora do departamento de séries da DR, Nadia Klovedal Reich. "A série segue os quatro filhos de Veronika, cuja infância livre e caótica em Gronnegard deixou marcas, de maneiras muito diferentes".

Para os telespectadores do mundo inteiro, "The Legacy" representa uma guinada na comparação com os assassinatos de "The Killing" e a intriga política de "Borgen". Mas os canais estrangeiros acreditam que conseguirão atrair o público, como aconteceu com as séries dinamarquesas anteriores.

Mesmo antes da exibição do primeiro episódio na Dinamarca, "The Legacy" já foi vendida para a Austrália, Bélgica, Holanda, Luxemburgo e Reino Unido, onde "The Killing" abriu as portas para outras séries em língua estrangeira.

As relações familiares e as disputas pela herança são fenómenos universais, que podem atrair espectadores de todo o mundo. Klovedal Reich acredita, no entanto, que o sucesso das séries no exterior também é motivado pela vontade de ambientar as suas histórias na sociedade dinamarquesa.
Segundo a diretora, os telespectadores estrangeiros viram-se atraídos por "Borgen" pelo fascínio provocado pela igualdade de sexos dos países nórdicos. "São mulheres que triunfaram. Trabalham há muito tempo, têm diplomas, começam a conquistar postos até então reservados aos homens", completa.

Reich recorda uma cena com a primeira-ministra (fictícia) Birgitte Nyborg e o seu marido. Este é infeliz porque a mulher, obcecada com a carreira, se mostra distante. "Ele tem uma amante e sua mulher mudou-se, mas volta para casa. E escrevemos tudo como se ela fosse um homem". "Volta para casa e diz ao marido: 'entendo que precises de encontrar intimidade noutro lugar. Desde que sejas discreto, não há problema. Mas estou prestes a discursar no Parlamento e gostaria que fizéssemos isto juntos. Também gostaria de aparecer na televisão esta noite para dizer como nosso o casamento é feliz'", recorda Klovedal Reich.

"The Legacy" teve um orçamento menor que "The Killing" porque "uma ficção centrada nos seus personagens é mais barata do que produzir que uma série baseada em intriga", explica Nadia Klovedal Reich.
Os dinamarqueses pagam um dos impostos audiovisuais mais caros do mundo, 326 euros por ano, e têm a televisão pública com maior nível de audiência da Europa. "As séries continuam a ser uma prioridade porque funcionam muito bem num contexto de serviço público", afirma Klovedal Reich.

@AFP

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