Artigo

Jornalista norte-americano critica lei anti-gay em direto na televisão russa

O jornalista norte-americano James Kirchick lançou ao vivo no canal público russo RT uma violenta crítica à lei que proíbe a "propaganda" homossexual para menores, promulgada pelo presidente Vladimir Putin, que prevê multas e penas de prisão.

Kirchick, abertamente homossexual, afirmou que não podia "manter-se em silêncio perante o mal", em referência a esta lei, durante um programa de televisão russo para o qual havia sido convidado para comentar a condenação do soldado americano Bradley Manning a 35 anos de prisão por vazar milhares de documentos ao WikiLeaks.

"Não me interessa nada falar de Bradley Manning, quero falar da horrível atmosfera de homofobia", afirmou Kirchick, interrompido pela apresentadora que o questionava sobre Manning.

Na sua conta no Twitter, a chefe de redação da RT, Margarita Simonya, classificou na quinta-feira o jornalista de "troll", termo utilizado na internet para designar uma pessoa que intervém para alimentar artificialmente uma polémica. "Da próxima vez o convidaremos para discutir os direitos dos gays, mas agora até logo", disse Simonya.

O ator britânico Stephen Fry, abertamente gay, elogiou a intervenção de Kirchick. "Realmente magnífico! Claro, apaixonado, valente, exatamente o que era preciso", escreveu o ator britânico na sua conta no Twitter, que convocou anteriormente um boicote aos Jogos Olímpicos de inverno, previstos para a cidade russa de Sochi em fevereiro de 2014.

A lei russa que proíbe a propaganda homossexual perante menores, classificada de discriminatória por muitos defensores dos direitos humanos, provocou vários pedidos de boicote dos Jogos Olímpicos de Sochi, por medo dos militantes de que esta lei seja utilizada para reprimir os homossexuais.

@AFP

Comentários