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Lembra-se de "Uma Casa na Pradaria"? Conheça a verdadeira história

A imagem bucólica mostrada nos romances e na clássica série televisiva "Uma Casa na Pradaria" está longe da vida dura experimentada pela família Ingalls, protagonista das histórias, segundo a recém-lançada biografia de Laura Ingalls, a personagem principal.

"O livro 'Pioneer Girl' é um primeiro rascunho escrito por Laura Ingalls Wilder, incentiva pela filha Rose, que agora foi editado e romanceado", explicou à AFP Nancy Tystad Koupal, diretora da editora Sociedade Histórica da Dakota do Sul.

"Esta versão foi escolhida porque queríamos mostrar da forma mais fiel possível a vida dos pioneiros do século XIX", acrescentou.

A biografia, sucesso de vendas nos Estados Unidos, mostra sem artifícios a aventura dos colonos que conquistaram o oeste americano em busca de uma nova vida e que, em muitos casos, os colocou à margem da lei.

No entanto, a série de 11 livros sobre a família Ingalls escrita e publicada por Laura Ingalls Wilder entre 1932 e 1943 contava com um estilo romantizado a vida do que hoje é o oeste americano.

As aventuras da pequena Laura foram adaptadas para televisão em 1974 pelo ator Michael Landon, que produziu grande parte dos 205 episódios que se transformaram num clássico da televisão norte-americana.

A série televisiva também apresentava uma visão idealizada dos colonos do século XIX quando a realidade era muito diferente. "Naquela época, a vida era difícil e a violência fazia parte do quotidiano", comenta Koupal.

Muitas situações presentes no novo livro foram retiradas das adaptações porque foram consideradas muito violentas. Na vida real, Laura Ingalls cuidava de uma mulher doente, cujo marido, alcóolatra, tentou violar.

Koupal conta que a família Ingalls não era rica, tinha poucos recursos e não era dona da sua "casa na pradaria". Vivia em apartamentos que o pai de Laura, Charles, nem sempre podia pagar. "Uma vez, a família fugiu durante a noite para não pagar a renda", revela Koupal.

Da ficção à realidade

A decisão de publicar uma edição documentada foi tomada depois de uma longa pesquisa. "Primeiro, queríamos ter tudo documentado", afirma Koupai.

Com isso, alcançaram três objetivos. "Queríamos assegurar-nos de que o que foi escrito estava correto porque se trata de uma autobiografia. Mas Laura Ingalls Wilder escreveu-a quando estava na casa dos 60 anos, e a memória pode falhar".

"Além disso, tentámos explorar a relação particular com sua filha Rose, que foi a sua primeira editora e que a convenceu a escrever suas memórias. Finalmente, quisemos diferenciar a ficção da realidade", explica.

A Sociedade Histórica queria principalmente distanciar-se da série televisiva, que foi a mais romanceada de todas as adaptações.

O livro tornou-se um sucesso de vendas. "Não podíamos sonhar com nada melhor. No início, esperávamos vender um máximo de 30 mil exemplares", recorda Koupal.

A tiragem inicial de 15 mil cópias se esgotou em poucas semanas. Foram feitas edições consecutivas de 15 mil e 45 mil exemplares. No total foram vendidos mais de 75 mil e a procura continua grande, além de liderar a lista dos livros mais vendidos na Amazon.

As causas do sucesso de "Pioneer Girl" deve-se principalmente à boa recepção que teve entre os fãs dos romances e da série, já que muitos cresceram a ler os livros ou a ver os episódios.

"Para muita gente, Laura e a família Ingalls fazem parte da sua juventude", conclui Koupal.

@AFP

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