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Novela luso-angolana "Windeck" chega ao Brasil

A TV Brasil, emissora estatal brasileira, começou nesta segunda-feira a transmitir a novela luso-angolana "Windeck", que, apesar de falada em português, terá legendas para expressões não utilizadas no Brasil.

Em Portugal, a produção angolana da Sembra Comunicação foi transmitida pela RTP1, com o nome "Windeck - O Preço da Ambição". Há atores portugueses e angolanos no elenco. A novela também já foi transmitida em Angola, Cabo Verde e Moçambique, e concorreu ao Emmy Internacional no ano passado.

"Não é uma mera exibição de novela, é política pública. Estamos a dar espaço para a representação negra positiva e para a África se mostrar para os brasileiros da maneira que o brasileiro mais gosta e melhor receciona a informação", afirmou Eduardo Castro, diretor-geral da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), em entrevista à Agência Brasil.

Castro disse também que a EBC discutiu a recetividade que a trama teria no Brasil com integrantes do movimento negro, e realçou que, em Windeck, os personagens negros aparecem em funções de destaque na sociedade, como empresários e presidentes de bancos.

Em produções brasileiras, é mais comum que os personagens negros ocupem papéis de empregados domésticos, trabalhadores, futebolistas e músicos de samba.

No Brasil, a novela tem classificação indicativa para maiores de 16 anos e, por isso, será exibida às 23h. "Windeck" será transmitida com áudio original e terá legendas para as expressões não usadas no Brasil, além de um glossário na página da novela na internet.

O glossário na página da novela no Brasil tem mais de 80 verbetes, entre eles aldrabar (enganar), cabrite (os churrascos feitos na rua de cabrito e frango) e fezada (sorte).

A atribuição de licença para a transmissão de "Windeck" no Brasil foi patrocinada pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, por ser considerada parte de uma política pública. A primeira novela produzida em Angola aborda a ganância de pessoas que querem ascender socialmente a qualquer preço, e também trata de temas como violência doméstica e homofobia.

@Lusa

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