Artigo

Pinto Balsemão alerta que serviço público de TV tem de mudar de rumo

O presidente do grupo Impresa, Francisco Pinto Balsemão, considerou na terça-feira, em Ponta Delgada, que “não é pelo caminho seguido até aqui” que um serviço público de televisão "se orienta”, a propósito do encerramento da reestruturação da RTP em 2014.

De acordo com o anteprojeto das Grandes Opções do Plano para 2014, a que a agência Lusa teve acesso, o Plano de Desenvolvimento e Restruturação da RTP entrará na fase conclusiva no decorrer de 2014, tendo entretanto o ministro Poiares Maduro defendido a entrega do controle do canal a uma entidade “genuinamente independente”.

“O fecho da reestruturação em 2014 e defesa do ministro Poiares Maduro de entregar o seu controle a uma entidade ‘genuinamente independente’, julgo que é uma boa intenção”, declarou Pinto Balsemão à agência Lusa, à margem de uma conferência do jornal Expresso comemorativa dos seus 40 anos, subordinada à agricultura e pescas no país.

“Desde que a SIC começou já devo ter tido a oportunidade de conversar e de estar com talvez uns trinta presidentes da RTP, o que prova que, realmente, não é pelo caminho seguido até aqui que um serviço público se orienta”, considerou Pinto Balsemão.

O antigo primeiro-ministro e fundador do PSD reiterou que as suas posições sobre a necessidade de um serviço público de televisão também já são “conhecidas há muito tempo” e reservou-se para uma leitura das recentes informações sobre a matéria.

O presidente do grupo Impresa referiu que o mercado nacional “não suporta” mais nenhum canal privado, face à “fase de crise” da publicidade que atravessam as televisões, e recordou que se estão a praticar nesta área valores iguais aos últimos anos do virar do século.

“Mais um canal é mau para a qualidade da programação, para as empresas de televisão, para os profissionais, produtores e para os espetadores, que perdem qualidade”, vincou.

Pinto Balsemão referiu entretanto que a Comissão Nacional de Eleições está a “afetar a liberdade de imprensa”, pelo “rigor” que está a colocar na leitura da lei de 1975 sobre a cobertura da campanha eleitoral.

“A consequência é que as televisões nacionais resolveram não realizar qualquer debate e uma cobertura milimétrica da pré-campanha e da campanha eleitoral”, referiu Pinto Balsemão.

O empresário considerou que esta situação “é má” para as pessoas, porque “merecem ser informadas” e não apenas para aqueles que “têm o direito de informar”.

As três televisões de sinal aberto discordam dos termos exigidos pela CNE para a cobertura das autárquicas e planeiam seguir poucos concelhos, com a RTP a ponderar desistir do acompanhamento da campanha.

@Lusa

Comentários