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Plano estratégico da RTP «atrasado» no que respeita à reestruturação

O presidente do conselho da administração da RTP, Alberto da Ponte, admitiu hoje que o plano estratégico “está um pouco atrasado” no que diz respeito à reestruturação, que é sempre “uma parte mais complexa”.

Em declarações aos jornalistas em Viseu, onde participou num encontro de altos dirigentes da Associação Internacional de Comunicações de Expressão Portuguesa (AICEP), Alberto da Ponte explicou que “o plano estratégico da RTP está a ser cumprido sobretudo na sua dimensão de desenvolvimento, tudo o que tem a ver com inovação, crescimento de receita e transformação cultural”.

No entanto, “está um pouco atrasado” na parte da reestruturação, relativamente à qual tem havido “um diálogo um pouco mais aprofundado com a tutela e também uma simultaneidade de acontecimentos que vão ser muito importantes”.

“Haverá um novo contrato de concessão, novos estatutos, uma nova lei da televisão e da rádio e portanto, não perdendo de vista essa necessidade de reestruturar e de reajustar que é absolutamente vital, neste momento estamos um bocadinho longe daquilo que seria o nosso objetivo”, referiu.

Alberto da Ponte explicou que “vai estar tudo muito dependente do contrato de concessão e da velocidade com que ele for aprovado pela Assembleia da República”, depois de passar pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social e pelo conselho de opinião. “Essa velocidade não a comando eu. Eu tenho que me adaptar à velocidade a que as coisas correm”, sublinhou.

O responsável disse que a RTP tem de “trabalhar muito para conseguir cumprir o orçamento de 2014”, mas adiantou que “2013 é um ano que vai acabar bem, dentro daquilo que está orçamentado, graças a uma gestão muito eficiente dos custos, a uma gestão completamente estugada da caixa da tesouraria e também a uma boa surpresa na área das receitas comerciais”.

Para o início do próximo ano, está prometida uma novidade em termos de inovação tecnológica, tendo em conta que, “hoje em dia, a maneira como se vê televisão está a modificar-se radicalmente”.

“A partir de 2014 são o cidadão e os anunciantes que vão pagar a RTP, nem sequer é o Estado. Portanto, a nossa preocupação com o cidadão tem que redobrar. Nós queremos que o cidadão olhe para a RTP como o portador, em primeira mão, das boas notícias”, realçou.

No entanto, Alberto da Ponte admitiu que a RTP “não estará totalmente preparada ainda” para este desafio, porque “é preciso criar uma base de forma de trabalhar um bocado diferente daquela que existia no passado”. “Mas estamos a fazê-lo. E como um dos grandes elementos da inovação é a velocidade, às vezes vale a pena arriscar, mesmo que os alicerces ainda não estejam totalmente lá. Mas se estiverem suficientes para aguentar, vale a pena ir para a frente”, considerou.

Questionado sobre a demissão do Conselho de Redação da RTP, escusou-se a comentar, por este assunto ser “estritamente uma competência do diretor de informação”. “Não compete ao presidente comentar isso. Há a liberdade e há um estatuto de independência editorial e o Conselho de Redação está dentro dessa liberdade”, acrescentou.

@Lusa

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