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Presidente do Conselho de Opinião rejeita ter tentado interferir em reportagem da RTP

O presidente do Conselho de Opinião da RTP esclareceu hoje que não teve qualquer "atuação ilegítima ou condenável de ingerência" sobre jornalistas da estação pública, depois do Conselho de Redação ter manifestado repúdio por alegada interferência.

Em causa está uma reportagem de uma equipa da RTP no aeroporto de Lisboa sobre os atrasos na TAP, a 1 de setembro.

De acordo com o comunicado do CR da RTP, dois jornalistas da RTP foram abordados pelo presidente do Conselho de Opinião, Manuel Coelho da Silva, no final da reportagem, que "terá afirmado perante várias pessoas" que "estavam mal informados, que eram maus profissionais por desconhecer a presença do próprio no aeroporto ao lado do governador de um Estado brasileiro".

Além disso, segundo o mesmo comunicado, o responsável terá afirmado que "a reportagem que estavam a realizar estava a ser mal feita, pois estariam a recolher depoimentos de pessoas erradas sobre a TAP e outras afirmações de lamentável índole", pelo que o CR condenou com "veemência a intenção, as palavras e a forma de intervenção em público do presidente" do Conselho de Opinião da RTP.

Num esclarecimento por escrito a que a Lusa teve acesso, Manuel Coelho da Silva rejeita qualquer "atuação ilegítima ou condenável de ingerência" sobre os jornalistas.

Explica que estava no aeroporto de Lisboa à espera da chegada dos passageiros de um voo do Recife que tinham ficado retidos na ilha do Sal, Cabo Verde, e que assistiu "à forma como a equipa da RTP conduzia a sua reportagem no local".

No final, "já de saída, apenas na qualidade de cidadão que preza os valores da sociedade democrática e do pluralismo jornalístico, em privado, discretamente e de forma absolutamente cortês, fiz à jornalista" e "unicamente a esta, um comentário, sem qualquer tipo ou intenção de ingerência ou de falta de respeito pela sua tão digna e importante atividade profissional", refere.

Adianta que na conversa que teve com a jornalista apontou "a conveniência de ouvir fontes próprias que não apenas as que estavam a ser ouvidas por repórteres de canais concorrentes, diversificando o leque de opiniões, até porque fora a última a chegar, designadamente jornalistas e personalidades brasileiras ali presentes e que vinham no voo em questão", rejeitando ter-se disponibilizado para também ser entrevistado ou dado ordens.

"Para que nenhum aproveitamento equívoco posterior pudesse existir, referi ainda à jornalista em privado e nunca em público como é referido pelo Conselho de Redação da RTP que o meu comentário era feito exclusivamente na qualidade de cidadão, muito embora fizesse parte do Conselho de Opinião da RTP e fosse seu presidente eleito", acrescenta Manuel Coelho da Silva.

"Nada mais do que isto se passou. Nenhuma forma de atuação ilegítima ou condenável de ingerência foi por mim praticada, nem qualquer dos limites legais da minha atividade como cidadão numa sociedade democrática foi ultrapassada, ou muito menos pondo em causa os princípios de isenção, rigor e independência do jornalismo, que sempre tenho defendido publicamente, quer como cidadão, quer como Presidente do Conselho de Opinião”, salienta.

"Lamento que em momento algum o Conselho de Redação se me tenha dirigido, para poder apurar o meu entendimento sobre esta questão, sobretudo quando pode estar em causa a defesa do bom nome de um presidente de um órgão estatuário da RTP, com a relevância do Conselho de Opinião", conclui Manuel Coelho da Silva no esclarecimento.

@Lusa

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