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Produção e emissão da RTP2 passam para o Norte

O presidente do conselho de administração da RTP, Alberto da Ponte, anunciou hoje a centralização no Porto da produção e emissão da RTP2, salientando que será assim possível “captar as forças vivas do Norte e Centro de Portugal”.

“Sediada aqui, a RTP2 será um serviço de programas nacional, mas terá oportunidade também de captar as forças vivas do Norte e Centro de Portugal, ao mesmo tempo que não deixará de ter em conta todas as forças vivas do país”, afirmou Alberto da Ponte durante a apresentação da programação da RTP2, que hoje decorreu no Porto.

Segundo salientou, a decisão insere-se na estratégia de consolidação de uma “ampla cobertura geográfica a dar ao Norte e Centro do país”, reforçando “a importância que devem ter no contexto nacional e internacional”.

De acordo com Alberto da Ponte, o diretor do segundo canal será Elíseo Oliveira, atual diretor do Centro de Produção do Norte da RTP.

Entre as novidades na programação da "dois" estará uma nova aposta no jornal 2, transmitido às 21:00, e uma "completa remodelação" do programa "Sociedade Civil", já a partir de segunda-feira.

Também presente no evento, o ministro adjunto e do Desenvolvimento Regional, Poiares Maduro, salientou que “a existência de um centro de decisão e de massa crítica no Norte não se trata apenas de descentralizar, mas também de potenciar os recursos humanos que aqui existem, não apenas na RTP, mas em termos de espaço público”.

“Os artistas, agentes culturais e comentadores, a inteligência que existe no Norte, pode ser potenciada com um serviço de programas que tem a sua edição e a sua responsabilidade no próprio Norte”, sustentou.

Adicionalmente, referiu, “trata-se também de promover, mesmo dentro da RTP, mais diversidade e mais centros de pensamento sobre aquilo que deve ser o futuro da empresa”.

“Parecia-me extremamente importante para o serviço público de televisão ter no Porto um centro de decisão e a responsabilidade editorial por um dos serviços de programas. Isso é bom não apenas para o Porto, é bom para o país e para a RTP, porque significa a criação de mais do que um centro de pensamento e de reflexão sobre o futuro da televisão e, sobretudo, fazer melhor uso de todos os recursos que temos no país”, sustentou.

Relativamente ao processo de reestruturação da RTP, Poiares Maduro disse que “continua em curso” e que a empresa “tem ainda de adequar os seus recursos humanos”.

Quanto à decisão de duplicação do orçamento para o canal 2 (o orçamento de grelha externa passa de quatro para oito milhões de euros) numa altura de fortes constrangimentos financeiros, o ministro referiu que “um dos problemas de que a RTP sofria é que a distribuição dos seus recursos financeiros não estava equilibrada”, pelo que, “à medida que a empresa consegue ser mais eficiente em certas áreas, pode apostar mais na programação e, desde logo, na RTP2”.

Em declarações aos jornalistas no final do evento, o presidente da RTP revelou que a reformulação do canal 2 avançará “em duas etapas”: “Vamos ter uma fase até setembro e, depois, uma transformação um pouco mais completa”, disse, descrevendo-a como “um plano sustentado e de médio longo prazo”.

Para Alberto da Ponte, embora a extinção do segundo canal tenha chegado a estar em cima da mesa num cenário de privatização da RTP, o entendimento da administração - “que foi depois também partilhado pelo Governo” – era que “não era possível cumprir o serviço público sem ter um serviço de programas como a RTP2, segmentado e com determinados grupos alvo”.

Embora sediada no Porto, a ‘dois’ terá, segundo o presidente da estação pública, “que se socorrer de todos os departamentos da RTP, pelo que determinadas especialidades manter-se-ão em Lisboa e continuarão a alimentar o Porto”, assim como alguns programas da RTP1 e da RTP Internacional continuarão a ser produzidos no Centro de Produção do Norte”.

Questionando sobre os números definitivos do plano de rescisões com trabalhadores, Alberto da Ponte remeteu a sua divulgação para “segunda ou terça-feira” da próxima semana, dada a prorrogação feita “a pedido dos trabalhadores”.

@Lusa

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