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Quem vai ter a nova «House of Cards»?

Quem será responsável por uma nova "House of Cards"? Esta é a pergunta feita por muitos grandes grupos de tecnologia que tentam produzir séries originais na internet, com a ambição de competir com os programas exibidos na televisão e motivados também pela receita publicitária.

O último grupo a entrar na aventura foi o Yahoo!, que procura argumentistas e realizadores para quatro séries de comédia, afirma o Wall Street Journal, e pretende pagar entre 700 mil e um milhão de dólares por episódio, para um total de dez capítulos por série.

A situação recorda as grandes quantias investidas ano passado pelo portal Netflix para a série política "House of Cards", um orçamento de mais de 100 milhões de dólares que permitiu a contratação de estrelas de Hollywood e vários prémios, incluindo um Globo de Ouro para a atriz Robin Wright e um Emmy para o realizador David Fincher.

O peso da concorrência

Sites como o Netflix usam cada vez mais séries originais para estabelecer uma diferença em relação aos concorrentes. A aposta também foi feita pelo Hulu e mais recentemente pelo gigante de vendas online Amazon, que tem a série "Alpha House".

Além disso, na semana passada a Amazon aprovou seis novos programas, incluindo uma série dramática ("The After"), desenvolvida pelo criador do grande sucesso dos anos 1990 "Ficheiros Secretos" (X-Files), Chris Carter, e uma comédia dramática sobre "sexo, droga e música clássica" com os atores Gael García Bernal e Malcolm McDowell ("Mozart in the jungle").

Outro novo interessado na disputa pela programação original online é o grupo Microsoft. A empresa pretende aumentar os atrativos da consola de jogos Xbox One com funcionalidades multimédia. No ano passado, quando apresentou a ideia, prometeu uma série original produzida especialmente por Steven Spielberg e baseada no jogo "Halo".

A Microsoft adicionou nesta semana a série de ficção científica "Humans", coproduzida com um canal tradicional, o Channel 4, que a exibirá em 2015 no Reino Unido, enquanto a Xbox será a plataforma de lançamento na América do Norte. A divisão Xbox, "envolvida pelo interesse da comunidade de criadores", aprovou seis programas com outros três em desenvolvimento, segundo uma porta-voz.

Provavelmente numa tentativa de não perder espaço, mas com a vantagem de ter o próprio estúdio de cinema, o grupo japonês Sony também confirmou que deseja produzir uma série original para a PlayStation.

Fonte de receita publicitária

Por trás do entusiasmo com as séries originais para a internet, o objetivo dos grandes grupos do setor de tecnologia é financeiro.

O grupo AOL acaba de renovar quatro séries, incluindo um documentário sobre ballet em Nova Iorque produzido por Sarah Jessica Parker, conhecida pela série "O Sexo e a Cidade".

"O sucesso das séries é comparável com o de programas similares na TV a cabo, o que as torna muito atrativas para os publicitários e estabelece uma alternativa viável face à publicidade televisiva", afirma Charles Gabriel, diretor de vídeo da AOL.

Para os analistas, a publicidade é o objetivo do Yahoo!, que não teria descartado o projeto de comprar um site de vídeos online depois do fracasso com o francês DailyMotion. A meta seria rivalizar com o YouTube, do Google.

O YouTube ficou, no ano passado, com a maior fatia (20,4%) dos vídeos publicitários na internet no mercado dos Estados Unidos, segundo a empresa emarketer.

"Conteúdos de qualidade deveriam poder atrair recursos [publicitários] previstos para a televisão", destaca a empresa de pesquisas Pivotal. Mas adverte, no entanto, que para garantir um crescimento a longo prazo será necessário "desenvolver com êxito" os conteúdos originais "várias vezes". E o mais provável é que os grupos de televisão tradicionais não fiquem parados. Com a compra recente de um grande produtor de conteúdos para os canais do YouTube, Maker Studios, a Disney já começa a movimentação...

@AFP

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