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RTP diz que não aceita ingerências na gestão do Mundial de Futebol 2014

A RTP afirmou hoje que "não aceita ingerências" na gestão dos seus ativos, aludindo aos direitos de transmissão do Mundial de Futebol de 2014, depois da SIC e da TVI terem anunciado o rompimento das negociações.

A SIC e a TVI anunciaram hoje que decidiram que romperam "todas as negociações com a RTP" para a partilha de custos da transmissão do Mundial de Futebol de 2014.

Em causa, referem as duas televisões privadas, está uma proposta do Conselho de Administração da RTP relativa ao sublicenciamento dos jogos do Mundial de Futebol 2014, cujos direitos de transmissão são detidos pela estação pública.

Em comunicado, a RTP disse que "não aceita ingerências na gestão dos seus ativos nem na forma como zela os recursos públicos, vindas dos operadores privados de televisão que se movem exclusivamente por interesses comerciais".

Esta posição da RTP surge depois da SIC e da TVI terem divulgado uma posição conjunta em que acusam a administração do grupo estatal de "impor, desde logo, um modelo de leilão entre as duas operadoras privadas, postura (...) que rejeitam liminarmente".

Ao propor "agora um modelo de negociação que vigorou até 2010, quando o mercado de 'Open TV' valia 305 milhões de euros contra os atuais 189 milhões", a RTP "está a deitar por terra o esforço de convergência feito pelos três operadores aquando do Europeu de 2012, altura em que o país já se encontrava intervencionado e os reflexos da crise eram por demais evidentes", referem as duas operadoras privadas.

Em resposta, a RTP refere que, "contrariamente ao que acontecera anteriormente, este ano e para esta competição, a SIC e a TVI juntaram-se para, em resposta a um processo transparente de concurso, reclamarem uma partilha igualitária pelos três operadores dos direitos que pertencem à RTP".

Estes direitos foram adquiridos pela RTP "em sede própria" e do qual, a RTP diz não abdicar, porque entende que, "em especial, a selecção nacional tem de ser vista na televisão pública de Portugal".

"Por lapso, a TVI e a SIC referem o Euro 2012 competição em que os direitos não eram da RTP, tendo esta estado em pé de igualdade com a SIC e a TVI no licenciamento", aponta o grupo público, assegurando que "o Mundial de Futebol será visto pelo maior número de Portugueses ao menor custo possível".

Sobre a transmissão dos jogos da seleção nacional de futebol, esta "é uma questão que a RTP considera estratégica na sua programação e que envolve o compromisso e a confiança dos portugueses no seu operador de serviço público", por isso "não abdica desse princípio", referem.

A RTP recorda que "procede ao sublicenciamento desses direitos com outros operadores, em 'pay-TV' [televisão paga] e em sinal aberto, partilhando, por um lado, os jogos com outros operadores e rentabilizando de forma transparente, por outro, o investimento feito pela RTP na aquisição dos direitos televisivos".

A SIC e a TVI tinham apontado que a RTP já tinha vendido "parte dos direitos de transmissão à Sport TV, parecendo agora estar mais interessada em controlar a concorrência dos privados do que em proporcionar o acesso livre da integralidade dos jogos do Mundial a todos os portugueses".

Em vez do leilão que a RTP propõe, "a SIC e a TVI defendem uma repartição, em igualdade de circunstâncias, entre os três operadores", defendem as privadas.

A RTP esclarece que este ano, tal como no anterior mundial de futebol, "sublicenciou os direitos na modalidade de 'pay TV'", sublinhando que "o processo decorreu com total transparência e com a maior cordialidade".

A RTP disponibilizou ainda 14 jogos do Mundial à TVI e SIC, dois operadores privados em sinal aberto (transmissão em serviços de programas de acesso não condicionado livre), devendo estes serem adjudicados à proposta mais elevada.

"A seleção e a RTP sempre estiveram juntas e vão continuar a estar. A RTP continua a assegurar que a Seleção Nacional esteja ligada ao operador de Serviço Público tendo para o efeito assegurado os direitos até 2022", concluiu.

@Lusa

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