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Série mostra "O Povo Que Ainda Canta" na RTP2

Depois de quatro anos em torno da música portuguesa, o realizador Tiago Pereira apresenta ao grande público "O Povo Que Ainda Canta", desta vez em formato televisivo, na RTP2. Esta série documental de 26 episódios é uma produção da Música Portuguesa A Gostar Dela Própria (MPAGDP) e estreia a 8 de janeiro, às 22h45.

"O Povo Que Ainda Canta" surge na sequência dum trabalho extenso de realização de documentários que mostram várias facetas da música portuguesa através dos seus protagonistas. Esta série documental, que é um trabalho de autor, está ligada a um canal de vídeos online que desde há quatro anos divulga práticas expressivas que se mantêm vivas, que não pertencem só ao passado e que têm sido registadas nos contextos onde acontecem, sem encenações.

Mogadouro, Dão-Lafões, Ribatejo, Gouveia, Baixo Minho, Baixo Alentejo, Douro, Porto ou Miranda, sem esquecer os arquipélagos da Madeira e Açores, entre outras regiões, são alguns dos territórios por onde tem passado a MPAGDP e que são agora palco dos episódios de "O Povo Que Ainda Canta", por entre milhares de quilómetros percorridos com o equipamento na bagagem.

"O Povo Que Ainda Canta" apresenta as vidas de quem se dedica a instrumentos específicos, como as gaitas-de-fole ou os adufes, seja a tocar ou a construí-los, e de quem mantém viva a tradição das danças de matriz rural. Ainda haverá três episódios específicos: um centrado no canto polifónico da Beira Litoral; outro que será evocativo de Adélia Garcia, que sempre teve um papel importante no trabalho recente de Tiago Pereira; e um terceiro episódio que divulga as histórias da MPAGDP, não só como associação cultural mas como conceito.

Os episódios desta série documental são contados por quem vive todos os dias nos ambientes retratados. Ainda assim, em alguns, há uma contextualização de um investigador que estabelece ligações entre as práticas expressivas e o enquadramento histórico.

Este trabalho, agora tornado público, sucede vários documentários do realizador, alguns premiados – tal como o "11 Burros Caem no Estômago Vazio" (2006), "Arritmia" (2007), "Manda Adiante" (2007), "Sinfonia Imaterial" (2011), "Vamos Todos Tocar Juntos Para Ouvirmos Melhor" (2012), "Não me Importava Morrer se Houvessem Guitarras no Céu" (2012) e "Quem Manda Aqui Sou Eu" (2014) –, que procuram ainda hoje mostrar a cultura imaterial portuguesa sob um olhar artístico e com uma perspetiva muito própria que mais do que documentar pretende partilhar vidas.

No universo de Tiago Pereira ainda houve lugar para a edição de um disco de recolhas intitulado "Dêem-me duas velhinhas, eu dou-vos o universo", produzido pela Optimus Discos (agora NOS Discos) em 2013. Este trabalho, que não é independente dos registos que o realizador tem feito sobre a música portuguesa, assume-se como um manifesto cuja mensagem, que é transversal a toda a obra de Tiago Pereira, sublinha a premissa de que “um povo sem memória não existe”.

Entre outras distinções, Tiago Pereira venceu, na sua primeira edição, em 2010, o prémio Megafone na categoria Missão, que tem como objetivo o reconhecimento de um trabalho fora do âmbito musical mas que ainda assim contribui para o desenvolvimento e divulgação da música de matriz rural portuguesa. Este prémio foi constituído pela associação Megafone 5, criada para homegear o músico e compositor João Aguardela, que morreu em 2009.

A série poderá ser vista às quintas-feiras, às 22h45, mas terá sempre reposição no sábado seguinte, às 12 horas, na RTP2.

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