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Televisão digital piora se for atribuído mais acesso livre a telemóveis, diz estudo

Um estudo hoje divulgado por uma consultora internacional garante que a qualidade da Televisão Digital Terrestre na Europa ficará prejudicada se o comprimento de onda que permite transmitir em sinal aberto for atribuído a novos operadores de telemóveis.

O estudo, realizado pela consultora Aetha - a pedido de um consórcio constituído por organizações como a União Europeia de Transmissões (European Broadcasting Union ou EBU), Rede Europeia de transmissões (Broadcast Networks Europe ou BNE), a Abertis Telecom (líder em Espanha de infraestruturas e serviços de telecomunicações), a Arqiva (empresa de telecomunicações do Reino Unido) e os grupos britãnico e francês de televisão e rádio BBC e TDF – concluiu que o chamado espectro de onda deverá ser usado, pelo menos nos próximos 15 anos, para a televisão digital e não para telemóveis.

O comprimento de onda em causa, a banda UHF (470 a 862 MHz), é um recurso finito porque é o único que pode ser usado na União Europeia para transmissões televisivas em sinal aberto.

Parte dessa banda UHF já foi libertada para uso dos operadores de telemóveis, tendo em conta a qualidade que oferece, mas as empresas de telecomunicações têm vindo, nos últimos anos, a pressionar os reguladores para que a banda seja disponibilizada por completo.

Esta possibilidade já foi anunciada como tema central da próxima Conferência Mundial de Radiocomunicações, a realizar em novembro de 2015.

Esta conferência decorre de três em três anos e tem como função a revisão do Regulamento de Radiocomunicações, um tratado internacional que rege a utilização do espectro de radiofrequências e as órbitas de satélites.

De acordo com o estudo hoje divulgado, qualquer perda da banda UHF pelas televisões põe em perigo a qualidade dos serviços na Europa e prejudica eventuais investimentos de operadores em televisão digital.

Em POrtugal, desde a sua implementação, a rede de Televisão Digital Terrestre tem sido alvo de várias queixas à DECO (associação de defesa do Consumidor), sobretudo devido a interferências que impossibilitam obter um sinal estável.

No último semestre do ano passado, a DECO recebeu mais de 3500 reclamações por falta de qualidade nos canais de Televisão Digital Terrestre, segundo avança a própria entidade no seu site.

De acordo com a Defesa do Consumidor, problemas no som e na imagem e interrupções prolongadas na emissão afetavam 62% dos lares com Televisão Digital Terrestre, tendo a Autoridade das Comunicações (Anacom) autorizado a PT – gestora da rede de TDT - a utilizar frequências adicionais para difundir o sinal, apesar de admitir “não estar segura de que a instabilidade seja resolvida”.

@Lusa

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