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Uma temporada de erros e acertos nas séries norte-americanas

As comédias românticas fracassam, as sitcoms permanecem em alta, um romance apaixonado e perigoso faz barulho e a Amazon ganha espaço na temporada de outono da televisão norte-americana.

Um romance perigoso

"The Affair", uma história de amor do canal a cabo Showtime, "capturou a imaginação dos espectadores", resumiu Tom Nunan, produtor e professor da UCLA School of Theater, Film and Television. Os atores britânicos Dominic West e Ruth Wilson são amantes que contam diferentes versões dos mesmos acontecimentos depois de um caso extraconjugal de verão com consequências devastadoras.
A série tem recebido críticas positivas e regista audiência de 3,9 milhões de telespectadores por semana, um sucesso para os canais a cabo.

Comédias românticas em baixa

"Manhattan Love Story", que mostra um casal que se apaixona simultaneamente, e "Selfie", em que uma mulher se apaixona pelo homem contratado para ajudá-la a supercar o seu vício pelas redes sociais, estão entre as comédias românticas que não conseguiram conquistar o público e a crítica.
"Parece que a comédia romântica nunca funciona na televisão", inclusive quando são desenvolvidas a partir de produções cinematográficas, disse Robert Thompson, professor de cultura popular na Syracuse University em Nova Iorque.

Caldeirão cultural nas sitcoms

As comédias de situação (sitcom), uma fórmula eficaz no pequeno ecrã, exploram novos temas sobre as minorias.
A série "Black-ish", produzida pelo canal ABC e já renovada para uma segunda temporada, conta as aventuras de uma família da classe média negra, recordando em parte "The Cosby Show", mas centrada na crise de identidade do pai.
"Cristela", outra comédia da ABC, testa novos desafios abordando os latino-americanos nos Estados Unidos, assim como "Jane the Virgin", uma adaptação da popular novela venezuelana "Juana la virgen".

Os bastidores do poder

As séries sobre os segredos do poder em Washington já são produzidas há algum tempo. Um exemplo do sucesso é "House of Cards", do serviço online Netflix.
O lançamento mais recente, "State of Affairs", conta com a atriz Katherine Heigl, conhecida por "Anatomia de Grey", que agora dá vida a uma analista da CIA que reporta os acontecimentos geopolíticos diários à presidente, interpretada por Alfre Woodard. A produção da da NBC aproveita a onda de series políticas, mas recebeu críticas pouco entusiasmadas e uma reduzida audiência desde a sua estreia este mês.
"Madam Secretary" da CBS, em que Téa Leoni interpreta uma política livremente inspirada em Hillary Clinton, é descrita pela crítica como "sólida, mas não espetacular".
Já a popular "Segurança Nacional", que está na quarta temporada e aborda as aventuras de uma agente da CIA, Carrie Mathison (Claire Danes), experimenta uma renovação depois do choque gerado pela morte de Nicholas Brody (Damian Lewis, vencedor do Emmy) na temporada passada.

A Amazon impõe-se

A Amazon, líder de vendas pela internet, "esperava pelo seu momento 'House of Cards', que aconteceu agora com 'Transparent'", disse Nunan. A série retrata a história de um pai transexual que lida com os seus problemas de identidade sexual e o relacionamento com os filhos. "É universalmente adorada pelos críticos e espectadores, que asseguram um momento histórico para a Amazon", acrescentou Nunan.

A revolta dos zombies

As séries sobre um mundo apocalíptico funcionam há muito tempo. O êxito de AMC com a série de zombies "The Walking Dead" aumenta a cada temporada. Entre outros sucessos, neste outono estão "The Strain", sobre um vírus que transforma as pessoas em zombies.

Ficção científica discreta

"Utopia" quer retomar o género da ficção científica, criando uma comunidade ideal a partir de um grupo eclético de pessoas. O veredito: polegares para baixo depois de alguns episódios. Thompson indica que é muito complexo, mas insiste que este género está longe de morrer. "Os que esperam que a ficção científica morra, morrerão antes que isso aconteça", concluiu.

@AFP

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