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Crítica: Powers

As séries de televisão chegaram à consola Playstation, numa nova plataforma de distribuição digital que fornece conteúdos directamente aos consumidores, ultrapassando assim os tradicionais canais de divulgação. Este fenómeno tem vindo a potenciar novas possibilidades de entretenimento para os espectadores, novos terrenos para os artistas e, em última análise, novas fontes de receitas para a produção.

«Powers» é baseada na novela gráfica de Brian Michael Bendis e Michael Avon Oeming e segue as vidas de dois detective que pertencem a uma unidade especial encarregue de investigar crimes relacionados com pessoas com poderes especiais.

Trata-se de um mundo de pessoas com habilidades especiais que coexistem com a restante população e utilizam as suas capacidades extraordinárias, umas mais do que outras, para praticarem o bem e o mal numa sociedade que os idolatra e segue a par e passo os seus hábitos e façanhas, tal como a actual imprensa cor-de-rosa fascinada com as estrelas da TV chunga. Temas como a existência, com ou sem poderes, o comentário social, a obsessão mediática e a fama e o poder são abordados.

A série tem como protagonista Sharlto Copley, o actor-fetiche de Neill Blomkamp em «Distrito 9», «Elysium» e «Chappie». O sul-africano interpreta Christian Walker, um detective da divisão Powers em tempos estrela mediática com super-poderes reconhecido como Diamond. Agora, vive assombrado com as memórias do passado, do período de estrela onde conseguia voar e fazer a diferença. Agora vive sem poderes após o confronto com o mentor, 'Big Bad' Wolfe (Eddie Izzard), um perigoso assassino em série que está aprisionado e ganha energia ao alimentar-se literalmente de humanos e indivíduos com super-poderes. A sua companheira é a detective Deena Pilgrim, interpretada por Susan Heyward. São perfeitos um para o outro por serem tão diferentes, um factor que lhes permite efectuar leituras distintas nas investigações.

A primeira temporada reflete os problemas de consciência de Christian após ter perdido os poderes e não conseguir utilizá-los no combate ao crime, bem como o reencontro com ex-parceiros como o rival Johnny Royalle (Noah Taylor), o mentor Wolfe e a ex-namorada Michelle Forbes (Retro Girl). A par deste confronto com o passado, Christian tenta impedir a introdução de uma nova droga que circula nas ruas com a promessa de exponenciar os super-poderes nos indivíduos.

O elenco é realmente poderoso, com intérpretes impressionantes, como Noah Taylor, Eddie Izzard e Sharlto Copley. O arco de história está bem desenhado e evolui a cada episódio de forma sequencial, sendo essencialmente um policial dramático com um elemento de super-heróis contado em dez capítulos. Os diálogos podem ter alguma falta de empatia, mas os personagens têm alguma profundidade e conflito. Esta série faz ainda parte de um género em que o trabalho de direção de arte e figurino têm um papel importante no look final.

Brian Michael Bendis, um dos titãs da escrita de comics e um dos responsáveis criativos da Marvel, criou este comic indie em 1999 com Michael Avon Oeming. Em 2001 teve a opção de transformar o livro numa série de televisão, que andou no limbo criativo até 2011. A série difere dos comics, que entretanto foram relançados, seguindo a sua própria linha narrativa, que ficou a cargo de Bendis e Charlie Huston. Os dois primeiros episódios são realizados com o estilo habitual e marcante em termos de sofisticação visual por David Slade, britânico que deixou marcas em «Hard Candy», «30 Dias de Escudirão» e os episódios-piloto de «Hannibal» e «Crossbones».

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