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Um abanão criativo nos anos 1920

Timothy Van Patten tem uma das melhores realizações de "Boardwalk Empire". Já assinou 13 episódios e consegue uma direção plenamente inspirada nos roaring twenties na série charneira da HBO criada por Terence Winter e produzida, entre outros, por Martin Scorsese.

Enquanto a fórmula de "Sangue Fresco" se esvaiu com a saída do showrunner Alan Ball, "Boardwalk Empire" volta a dar um abanão criativo após os eventos sanguinários da terceira temporada com a participação explosiva de Bobby Cannavale.

O principal protagonista Nucky (Steve Buscemi) renasce dos escombros, a mazela do ataque à sua vida não se equipara à perda da sua amante Billy. A aliança com Chalky White (Michael K. Williams), que salvou a sua pele, traz o líder negro do crime de Atlantic City ao passeio marítimo (boardwalk). A abertura de um novo cenário proporciona um dos melhores números musicais da série. Os argumentos desta temporada exploraram a identidade racial e o perigoso jogo da dominação e humilhação, um motivo que traz à série o excelente Jeffrey Wright no papel de um criminoso negro com vocação espiritual.

É formado um pacto de não-agressão entre Nuky e os senhores do crime de Nova Iorque, e em Chicago Al Capone (Stephen Graham) vai forjando o seu nome. Em matéria de pactos, Eddie Kessler (Anthony Laciura), o fiel assistente de Nucky, deseja reconhecimento e prepara-se para subir na cadeia alimentar. E finalmente, entra em cena o FBI com um agente infiltrado e o seu chefe de olho no crime organizado.

A acção da série não se limita apenas a Atlantic City, a narrativa segue também Nelson Van Alden (Michael Shannon), o ex-agente que perdeu a cabeça e fugiu com a babysitter, tornou-se cobrador de dívidas de um gangster de Chicago. Em Warsaw, no Indiana, Richard Harrow (interpretado pelo brilhante Jack Huston) regressa a casa tentando encontrar algo para ele mas sem antes de deixar um rasto de sangue por onde passa, após o massacre da terceira temporada ele optou por vestir a identidade de um anjo da morte; e Gillian (Gretchen Mol), uma personagem que tem dado o corpo ao manifesto viciou-se em drogas e tenta recuperar a custódia do seu neto, seis meses após o massacre no seu clube, enquanto faz novamente pela vida.

"Boardwalk Empire" não é apenas sobre o crime. É um fiel retrato da América num período de ascensão e corrupção. Os dados estão lançados numa das grandes recriações históricas da televisão, a série continua sublime a nível de cenários, guarda-roupa, adereços e um elenco fantástico.

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