Artigo

Uma mulher num mundo de homens

Haley Hatwell é a nova heroína da Marvel. Após o sucesso de «Os Agentes S.H.I.E.L.D.», chega a vez de mais um spin-off televisivo a partir da “fábrica de ideias”, neste caso saído do universo clássico de Capitão América.

«Agent Carter» é a primeira heroína de uma nova vaga que consagra o heroísmo feminino baseado no universo dos comics. Atualmente os sucessos no cinema e na televisão provam que há público com apetência para visionar heroínas como cabeças de cartaz (veja-se o sucesso global de «Lucy» em 2014).

A nova heroína do pequeno ecrã é interpretada pela atriz britânica, que retoma o papel que tinha interpretado no filme «Capitão América: O Primeiro Vingador» (2011). Recordamos que é possível visionar na edição Blu-ray de «Homem de Ferro 3» um episódio prequela intitulado «Marvel One-Shot: Agent Carter», que se tornou o tubo de ensaio desta série. Quando «Agent Carter» foi apresentada na Comic Con em São Diego, em 2014, Louis D'Esposito (presidente da Marvel) teve a certeza do potencial da série e deu luz verde para a produção após a reação eufórica do público presente.

A série foi criada por Christopher Markus e Stephen McFeely, autores de «O Primeiro Vingador» e «O Soldado do Inverno», tendo no comando duas mulheres, Tara Butters e Michele Fazekas. Curiosamente, o segredo desta série é sustentado numa personagem que tem como poderes especiais a teimosia e o trabalho árduo… claro que dar uns socos valentes também ajuda alguma coisa.

A série arranca com as imagens do final de «O Primeiro Vingador», com a queda do avião de Capitão América no término da Segunda Guerra Mundial. A agente Carter, a namorada do herói americano, pensa que o seu parceiro está morto, iniciando a sua nova vida atrás da secretária após ter sido uma brilhante agente na Allies Strategic Scientific Reserve (os serviços “ultra” secretos dos EUA). Mais tarde, ela estará na origem da S.H.I.E.L.D., onde terá de mostrar, à revelia dos seus chefes, o talento num mundo de canastrões que consideram que a agente só desfruta da sua posição devido à relação com o Capitão América.

A escrita da série tem o seu triunfo no modo como alicerça uma narrativa que coloca a protagonista não só a enfrentar vilões como também, no seu maior obstáculo, a luta de sexos numa era onde, com a chegada dos homens dos palcos de guerra, as mulheres eram relegadas para segundo plano. A protagonista acaba por triunfar e conquistar todos os públicos pois é uma heroína que não precisa de ser salva já que está muito acima dos seus pares.

A sua frustação começa a desvanecer quando Howard Stark (o pai de Tony Stark, o futuro Homem de Ferro) é acusado pelo governo norte-americano de venda de armas ao inimigo. Carter é incubida de desvendar a conspiração e limpar o nome do playboy e inventor das novas tecnologias do exército americano.

A série desenrola-se em 1946, numa recriação cheia de glamour de Nova Iorque. A atmosfera tem requintes noir que remetem o espectador para a era dourada dos clássicos de cinema dos anos 1940. Dos homens trajados de forma elegante às mulheres com os lábios vermelhos, cabelos encaracolados e saias lisas, do figurino à maquilhagem até aos cenários, nenhum pormenor na direção de arte é descurado.

A série combina em doses equilibradas a aventura, a acção e a espionagem, num objeto que deve muito ao show de Hayley Atwell que nos faz regressar a todos os sete episódios que compõem «Agent Carter».

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