"Se um dia alguém perguntar por mim, diz que vivi para te amar. Antes de ti, só existi; Cansado e sem nada para dar". Este é o arranque de "Amar pelos Dois", tema composto por Luísa Sobral e interpretado por Salvador Sobral e que conquistou a Europa, dando a vitória a Portugal no Festival Eurovisão da Canção.

Mas a canção portuguesa não conquistou apenas os portugueses. Depois da vitória de Salvador, "Amar pelos Dois" tornou-se no tema mais ouvido em todo o mundo. Segundo os dados divulgados pelo site Last.fm, a canção ficou à frente de Miley Cyrus, Paramore e Kendrick Lamar.

Já no Spotify, de acordo com os dados partilhados na manhã desta segunda-feira, 15 de maio, o tema composto por Luísa Sobral lidera o Top Global Viral 50, batendo, por exemplo, "Despacito", de Luis Fonsi, ou "Sign Of The Times", de Harry Styles.

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Global Viral 50 - Spotify

No total, a canção soma mais de um milhão de reproduções no serviço de streaming de música. Lisboa, Estocolmo e Madrid são as cidades onde mais se ouviu o tema nos últimos dias. Porto e Oslo fecham o top cinco.

Salvador Sobral
As cidades onde se ouve mais os temas de Salvador Sobral

Segundo a RTP1, no iTunes, o tema vencedor do festival é a mais descarregada em Portugal, na Espanha, na Holanda, na Finlândia, na Grécia, na Lituânia, na Naruega, na Suíça, na Polónia e na Suécia.

No Youtube, as atuações de Salvador Sobral no Festival Eurovisão da Canção somam mais de 10 milhões de visualizações. Já o vídeo da final nacional partilhado na conta oficial do evento foi reproduzido mais de nove milhões de vezes.

No Facebook, o vídeo da atuação de Salvador na final partilhado pela Eurovisão soma mais de 3,7 milhões de visualizações. Já o excerto do dueto entre os irmãos Sobral foi visto mais de 3,6 milhões de vezes entre sábado (13 de maio) e a manhã de segunda-feira (15).

Portugal ganhou no sábado, pela primeira vez, o festival Eurovisão da Canção com "Amar pelos dois", interpretada por Salvador Sobral.

A canção, com letra e música de Luísa Sobral, irmã de Salvador Sobral, obteve 758 pontos na votação combinada dos júris nacionais e do público, na final do festival disputada em Kiev, na Ucrânia, que foi transmitida em direto pela RTP1.

A final do Festival Eurovisão da Canção foi disputada, em Kiev, por 26 países.

A música de Salvador

Salvador Sobral editou "Excuse me", o disco de estreia há um ano, cruzando referências de uma vida, que provam o seu modo inquieto de viver a música, do jazz de Chet Baker aos clássicos brasileiros de Dorival Caymmi.

Salvador Sobral na Eurovisão: A Música Portuguesa A Gostar Dela Própria

Salvador Sobral nasceu em Lisboa, em 1989, ouvia música desde criança e, numa entrevista recente ao El País, recordou as viagens em família, as canções partilhadas com os pais, dos Beatles, dos Genesis, de Simon & Garfunkel e John Lennon, sobretudo clássicos dos anos de 1960/70, e as harmonias feitas com a irmã.

O primeiro concurso de talentos surgiu na sua vida aos dez anos, um "Bravo, Bravíssimo", na SIC, onde voltaria aos 18 anos, para o Ídolos. A experiência ficou para trás, dedicou-se a um curso de Psicologia e a um Erasmus em Maiorca. Para ganhar dinheiro, começou a cantar em bares. E foi aí que tudo mudou.

Descobriu Chet Baker, através de um guitarrista argentino com quem cantava: "Deslumbrou-me. Parecia uma angústia misturada com esperança, com melancolia, tudo numa só pessoa. Identifiquei-me totalmente com ele e com o seu estilo", disse na entrevista ao jornal espanhol El País, publicada no passado dia 16 abril.

O curso de Psicologia deu lugar ao de Música, e Maiorca a Barcelona, onde, em 2014, começou a atuar com a banda Noko Woi, com quem atuou no festival Sonar. Um ano mais tarde seria uma voz na programação dos festivais Mexefest e, no seguinte, entraria no Cool Jazz.

Na altura tinha já publicado "Excuse me", o álbum de estreia que chegou às lojas em março de 2016, com uma sonoridade marcada pelo jazz e pela pop.

O disco resume os gostos do cantor, as suas referências, entre as composições escritas por si mesmo, com Leo Aldrey, às quais juntou versões de "Autumn in New York", de Vernon Duke, um 'standard' do jazz, ou "Nem eu", de Dorival Caymmi.

O disco inclui igualmente "I might just stay away", canção escrita por Luísa Sobral, inspirada na obra do trompetista Chet Baker, uma das principais referências do cantor.

Em "Excuse me", Salvador Sobral surge em quarteto, acompanhado por Júlio Resende (piano), que coproduziu o disco, André Rosinha (contrabaixo) e Bruno Pedroso (bateria).

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