O presidente da Fundação Bienal São Paulo, José Olímpio da Veiga Pereira, confirmou que a edição atual da mostra, que lançou suas atividades públicas em fevereiro de 2020, se estenderá até ao final do próximo ano.

“Estamos aqui para anunciar duas coisas. A primeira é que decidimos adiar a 34.ª Bienal de São Paulo para 2021. Como consequência deste adiamento nós vamos mudar os anos da Bienal em São Paulo”, declarou Veiga Pereira numa teleconferência de imprensa, com jornalistas estrangeiros.

O responsável explicou que a 35.ª Bienal de São Paulo será realizada em 2023 e o mandato do Conselho de Administração da instituição será prorrogado por um ano.

Veiga Pereira lembrou que o evento já havia sido adiado para o final deste mesmo ano, mas a equipa que organiza a Bienal de São Paulo chegou à conclusão de que não seria possível manter a mostra, devido aos riscos de saúde.

Também citou problemas logísticos no país, como a restrição de voos locais e internacionais.

"Na nossa visão, não íamos conseguir realizar o objetivo da bienal, que é atingir um grande público nacional e global, mostrando a arte contemporânea", frisou o presidente da Fundação Bienal São Paulo.

“Nós pensámos que seria a melhor decisão. Estamos vendo 'a coisa' assim em outros lugares do mundo. Então basicamente adiámos para o próximo ano”, acrescentou.

Assim como foi planeado anteriormente, a 34.ª Bienal de São Paulo manterá o título "Embora esteja escuro, ainda canto", e ainda prevê 'espalhar-se' por museus e instituições parceiras, por meio de exposições individuais dos mesmos artistas exibidos no Pavilhão Principal, localizado no parque do Ibirapuera, em São Paulo.

No entanto, como 25 instituições culturais da cidade de São Paulo realizariam mostras paralelas, e agora a programação mudou para 2021, os organizadores deverão firmar novos acordos e verificar a disponibilidade de cada uma das instituições envolvidas para se manterem dentro do evento.

Seguindo esta diretriz, uma colaboração internacional estabelecida pela 34.ª Bienal de São Paulo com a fotógrafa norte-americana Deana Lawson, que deu origem à exposição individual "Centropy", já foi inaugurada no Kunsthalle Basel, em Basileia, na Suíça, em junho.

Questionado sobre a possibilidade de inclusão de novos artistas na mostra, o curador-geral da bienal, Jacopo Crivelli Visconti, afirmou que a lista de participantes nunca está totalmente fechada.

O curador também afirmou que o adiamento representa uma vantagem para se compreender o evento.

Os organizadores explicaram que adaptações devem vir a ocorrer no projeto, e que um programa intermediário está sendo desenvolvido, incluindo atividades educacionais e digitais, além de programação pública. Estas atividades serão anunciadas mais à frente.

O Brasil é o país lusófono mais afetado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo, ao contabilizar o segundo número de infetados e de mortos (mais de 1,40 milhões de casos e 59.594 óbitos), a seguir aos Estados Unidos.

A pandemia de COVID-19 já provocou mais de 511 mil mortos e infetou mais de 10,5 milhões de pessoas, em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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