“A Grande Emissão do Mundo Português” condensa perto de 20 anos da história de Portugal, por altura do Estado Novo (1933-1974), adianta a informação divulgada pelo teatro de Almada.

O espetáculo atravessa parte do regime autoritário e corporativista, que dominou Portugal até ao 25 de Abril de 1974, um regime sustentado na propagada, que lhe assegurou longa vida, em particular através da censura e da instrumentalização dos meios de comunicação.

Neste espetáculo O Teatrão põe em cena estratégias de encenação que apresentam um país “mirífico e totalmente delirante”, como afirma a companhia, e que desmontam, em simultâneo, os processos de propaganda do regime.

Num imaginário estúdio da Emissora Nacional (EN), estação de rádio encarregada de difundir e celebrar um retrato do País que sustentasse e elogiasse o poder de Oliveira Salazar, o presidente do conselho de ministros do governo ditatorial, cinco trabalhadores realizam um programa que dura 21 anos, a partir de 1940, até ao início da Guerra Colonial, em Angola, em fevereiro de 1961.

O início da emissão data de 1940, ano em que o regime inaugurou em Belém, à beira do Tejo, a grande Exposição do Mundo Português, sumptuosa feira de vaidades “para português ver”, num país fechado sobre os oito séculos de nacionalidade e os 300 da restauração, que dizia ir do Minho a Timor, quando Hitler invadia a Europa, no início da II Guerra Mundial.

O começo da ação é marcado também pela mudança de direção da Emissora: a saída de Henrique Galvão, que mais tarde viria a protagonizar uma das principais ações contra a ditadura, o assalto ao navio Santa Maria, e a entrada de António Ferro, diretor do Secretariado de Propaganda Nacional. O programa passa então a ser coproduzido com a Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho (FNAT), procurando “educar sem aborrecer a nação”.

"A Grande Emissão do Mundo Português" é o segundo capítulo da série "Casa Portuguesa" d'O Teatrão, conjunto de produções, debates e estudos que a companhia produz tem vindo a produzir sobre o Estado Novo, sucedendo a "Eu, Salazar".

"Interessam-nos as correlações entre a política cultural do Estado e a programação da EN, nomeadamente nas estratégias de 'encenação' do regime e nos processos de aportuguesamento", escreve a companhia de Coimbra, na sua página na Internet.

"A grande alteração dos meios de produção da EN para atingir estes objetivos, o seu sucesso e duração são pistas para a interpretação da transformação sociocultural operada" em Portugal, durante a ditadura, prossegue O Teatrão.

"No confronto com o presente, este material permite-nos uma reflexão crítica sobre as novas vagas populistas, a influência dos meios de comunicação de massa na propagação de ideais que atualizam as ditaduras como soluções inevitáveis para os males sociais e conduzem a encenação das realidades", conclui a companhia.

Assina a dramaturgia Jorge Palinhos, juntamente com a encenadora e pedagoga Isabel Craveiro.

A interpretar estão Ana Bárbara Queirós, Celso Pedro, Isabel Craveiro, João Santos e Margarida Sé.

Os figurinos são de Filipa Malva, o desenho de luz, de Jonathan Azevedo, e a direção musical é de Luís Figueiredo.

No dia 14 a peça pode ser vista às 21h00, e, no dia 15, às 16h00.

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