Esta quinta-feira, dia 7 de maio, em entrevista à CNN Brasil, Regina Duarte, secretária especial da Cultura do governo Bolsonaro, desvalorizou a censura e a tortura durante a ditadura, relativizando ainda o impacto do novo coronavírus.

No início da entrevista ao canal brasileiro, Regina Duarte cantou "Pra Frente Brasil", uma "marchinha" associada à ditadura."Não era gostoso cantar isso?", rematou.

Veja o vídeo:

"Se ficar a cobrar coisas que aconteceram nos anos 60, 70, 80, nós não vamos para a frente. (…) Sempre houve tortura, não quero arrastar um cemitério. Estaline, quantas mortes? Hitler, quantas mortes? Se nós ficarmos a arrastar essas mortes… Não quero arrastar esse cemitério", disse a atriz na entrevista à CNN Brasil.

"A humanidade não pára de morrer, se falarmos de vida, de um lado tem morte (...) Acho que tem uma morbidez neste momento. A COVID-19 está a trazer uma morbidez insuportável, isso é perigoso para a cabeça das pessoas. Isso não está bom", frisou.

No final da conversa, Regina Duarte irritou-se com os jornalistas depois de ser mostrado um vídeo enviado à produção por Maitê Proença, no qual a atriz questiona o silêncio secretária especial da Cultura perante a morte de artistas brasileiros, como Moraes Moreira e Aldir Blanc.

Apesar do vídeo ser de quinta-feira, a secretária da Cultura pensou que as declarações tinham dois meses e pediu para terminar a entrevista. "Acho de baixo nível (...) Vocês estão a desenterrar mortos, estão a carregar um cemitério nas costas, fiquem leves (...) Telespetadores, desculpem o chilique", respondeu.

A entrevista à CNN Brasil tornou-se rapidamente num dos assuntos mais comentados nas redes sociais no Brasil, com eco no Twitter em Portugal.

Nas redes sociais, vários artistas criticaram os comentários de Regina Duarte. No Instagram, Anitta publicou uma mensagem dirigida à atriz brasileira. "Sei que senhora segue-me aqui no Instagram e gostaria de dizer algo como cidadã. Vi a sua entrevista na CNN e já vi em alguns sítios que não foi combinado uma entrevista em direto etc e etc, mas, falando como artista que já passou por isso algumas vezes (se é que realmente foi isso), acho que haveria mil outras formas de se pronunciar sem ser grosseira", sublinhou.

"Uma pessoa que aceita assumir a secretaria da Cultura está a aceitar trabalhar para o povo, isso significaria escutar também os lados que pensam diferente da senhora e colocar a sua posição sobre a questão. Recusar ouvir uma opinião contrária logo depois de enaltecer os tempos de ditadura, causa-me muito medo", escreveu Anitta.

A cantora Zélia Duncan também comentou a entrevista. "A secretária de cultura voltou a aparecer nervosa e áspera, como o seu chefe faz, boa aluna, não é? Como se ninguém tivesse o direito de cobrar. Cargo público, quem paga é a população, eles esquecem-se desse detalhe. Devem-nos satisfações sim", frisou.

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