A história: O general de quatro estrelas Mark R. Naird (Steve Carell), um piloto condecorado que sonha comandar a Força Aérea, é surpreendido com a notícia de que irá liderar o recém-formado sexto ramo das forças armadas dos EUA: a Força Espacial. Cético, mas comprometido, Mark arrasta a família consigo e muda-se para uma base remota no Colorado, onde ele e uma alegre equipa de cientistas e "homens do espaço" são destacados pela Casa Branca para levarem americanos à Lua (outra vez) numa corrida contra o tempo para conquistar o total domínio espacial.

Dos cocriadores Steve Carell e Greg Daniels ("The Office"), "Space Force" é um novo tipo de comédia no local de trabalho, onde a fasquia está a um nível estratosférico e a ambição é astronómica. John Malkovich, Diana Silvers, Tawny Newsome e Ben Schwartz contracenam com Lisa Kudrow, Jimmy O. Yang, Noah Emmerich, Alex Sparrow e Don Lake.

Todos os dez episódios da primeira temporada de "Space Force" estão disponíveis na Netflix desde 29 de maio.


Crítica de Daniel Antero

Iniciando uma nova era nas viagens espaciais, a missão Demo-2 operou o primeiro voo comercial, tripulado, com destino à Estação Espacial Internacional.

Numa acção nada ingénua no que concerne a hashtags "trendy" e notícias cruzadas, a Netflix aproveitou e lançou também no mesmo fim de semana uma comédia inspirada na agenda sub-reptícia daquela ação conjunta da NASA e da Space X de Elon Musk: o sonho "verhoeveniano" de Trump, a criação de uma tropa estrelar.

"Space Force" é um conjunto de dez episódios onde o "ensemble" constituído pelo cientista Adrian Mallory (John Malkovich), o conselheiro dos média F. Tony Scarapiducci (Ben Schwartz) e o general rececionista Brad Gregoy (Don Lake), gravitam à volta do General Mark Naird (Steve Carell), que, inesperadamente, se vê a liderar esta nova armada.

De missão em missão - que envolvem um macaco astronauta, uma batalha contra a Força Aérea ou a receção a uma empresa privada liderada pela versão feminina de Elon Musk -, esta força espacial vai-se compondo ao sabor dos caprichos dos twitters do presidente, ou POTUS, sôfrego por voltar a pôr botas na Lua, e do sentido de moda da Primeira Dama, ou FLOTUS.

Ao mesmo tempo, também seguimos a vida pessoal de Naird, em trabalhos com a esposa (Lisa Kudrow), inexplicavelmente encarcerada, e a filha cada vez mais isolada nos confins do Colorado.

Com um argumento excessivo e díspar, "Space Force" não une as pontas para se formar numa crítica acutilante. Mais do que uma farsa política dos devaneios disfuncionais do líder norte-americano, à imagem de "Doutor Estranhoamor" ou "M.A.S.H", a série criada por Steve Carell e Greg Daniels é uma comédia no local de trabalho que abraça um universo alternativo.

Povoada por caricaturas de figuras do Congresso (o nome Scarapiducci assemelha-se muito ao de Anthony Scaramucci, antigo Director de Comunicações da Casa Branca, Anabela Ysidro-Campos é uma clara referência à congressista Alexandria Ocasio-Cortez), e de líderes de autoridade que se digladiam na sala de guerra (onde surgem Jane Lynch e Patrick Warburton), é notório o esforço para nos fazer rir.

Entre o piscar-de-olho e a palmadinha nas costas, espera-se que o talento de Carell, Malkovich e Schwartz atinjam o alvo. O que chega a acontecer, provocando gargalhadas espontâneas, vindas principalmente da relação peculiar entre o estóico Naird e o cientista Mallory, ele sim uma voz impaciente, irritada, sempre pronta a elevar-se contra a imbecilidade do sistema.

Só que, longe do registo documental de um "The Office", sem verisimilitude, com uma plasticidade tipicamente americana, pura e simplesmente as piadas de "Space Force" não descolam.

2/5

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