Catherine Deneuve continua imparável e a 4 de setembro regressa às salas de cinema francesas com "Fête de famille".

Apesar do ritmo, diz não se ver como ícone do cinema e que adora surpreender, longe da imagem sofisticada que pode transparecer, e principalmente não hesita em assumir posições controversas, especialmente para defender Roman Polanski.

"Ícone do cinema? Francamente, não penso que seja isso. Muitas vezes ouço isso, muito através dos jornais, revistas, fotos, mas só isso", declarou a estrela do cinema francês, cuja carreira começou há mais de 60 anos, em entrevista à AFP.

"Também há o facto de estar muito ligada a Yves Saint Laurent [estilista], daí essa imagem mais sofisticada. Mas francamente não, como atriz, não sou assim. É apenas uma imagem", acrescenta.

Deneuve também diz que gosta de surpreender "em papéis um pouco inesperados" e, curiosamente, que "nem tudo esteja escrito com antecedência".

"Quero coisas que sinto que ainda não fiz", explica Catherine Deneuve, que se prepara para filmar em outubro o próximo filme de Emmanuelle Bercot, "De son vivant", com Benoît Magimel.

Fête de famille (2019)

Em "Fête de famille", de Cédric Kahn, um drama familiar misturado com comédia, a atriz interpreta Andréa, uma mãe que recebe os seus três filhos pelo seu aniversário na casa da família: a sua filha mais velha instável e imprevisível Claire (Emmanuelle Bercot), Vincent (Cédric Kahn), de vida resolvida, e Romain (Vincent Macaigne), cheio de projetos caóticos.

A chegada de Claire, que não vê há três anos, vai perturbar esta reunião familiar, resultando em tempestades e acertos de contas.

"O que gostei foi o argumento, que achei extraordinário, com personagens que realmente existem", contou a estrela de 75 anos, que diz "adorar filmar com escritores, com cineastas que escrevem os seus argumentos", como é o caso de Cédric Kahn.

Este ano, ainda surgiu nos filmes "L'Adieu à la nuit", de André Téchiné, e "La Dernière folie de Claire Darling", de Julie Bertucelli, inéditos em Portugal, além de ter aberto na quarta-feira o Festival de Veneza com o papel de uma atriz "muito excessiva" em "La Vérité", do japonês Hirokazu Kore-Eda.

O Festival de Veneza este ano está a ser marcado pela presença polémica em competição do último filme de Roman Polanski, "J'Accuse", sobre o caso Dreyfus, cuja exibição oficial será esta sexta-feira à noite.

"Excessivo"

Como o fez noutras ocasiões, Catherine Deneuve não hesita em indignar-se com as críticas das feministas contra a presença em competição do cineasta franco-polaco, acusado de violação em 1977 de uma adolescente de 13 anos.

"Acho incrivelmente violento e totalmente excessivo", reagiu.

"O tempo passou", afirmou sobre o cineasta de 86 anos, com quem filmou em 1965 "Repulsa", estimando que "a maioria das pessoas não sabe a realidade de como as coisas aconteceram".

Enquanto se prepara para presidir na próxima semana ao Festival de Cinema americano de Deauville, Catherine Deneuve também defende Woody Allen, cujo último filme, "Um Dia de Chuva em Nova Iorque", que não chegou a ser lançado nos cinemas americanos, devido às antigas acusações de agressão sexual, abrirá o evento.

"É o mesmo, é incrível", disse a atriz, afirmando que aceitaria, com certeza, filmar com o cineasta num projeto que lhe convenha.

Nos Estados Unidos, "eles rapidamente disseram 'é o fim, banido', é preciso sair do país, sair da cidade, sair do cinema", lamenta a atriz, que também se posicionou contra-corrente do movimento #MeToo no início de 2018, assinando com 100 mulheres um artigo defendendo "a liberdade de importunar".

Posteriormente, Deneuve pediu desculpas às "vítimas de atos hediondos", mas reforça agora que, para ela, "é preciso fazer a diferença entre o cineasta e a pessoa".

"As feministas têm uma visão limitada", resume.

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