Fez filmes de guerra, musicais e dramas românticos, popularizando-se como galã hispânico a partir dos anos 40.

De
«Sayonara» a
«Star Trek II – A Ira de Khan», teve uma carreira longa e variada, que passou pela televisão onde ganhou a eternidade como protagonista da série
«Ilha da Fantasia». Ricardo Montalban, nascido no México em 1920, faleceu de causas naturais aos 88 anos.

O actor chegou a Hollywood logo no início dos anos 40, onde teve participações curtas em diversos filmes, que ia entremeando com outros que fazia no México, onde o norte-americano Norman Foster realizou algumas películas por essa época, como «Santa» (1943), «La Fuga» (1944) e «La Hora de la Verdade» (1945), em que Montalban já foi tendo papéis principais.

A partir de 1947, o actor permaneceu em definitivo em Hollywood, onde, numa primeira fase, participou em musicais como
«Numa Ilha com Ela» (1948),
«Kiss me Bandit» (1948), em que tem um fabuloso número de dança com Cyd Charisse e Ann Miller, ou
«A Rainha das Sereias», com Esther Williams.

Em 1949, às ordens de Anthonny Mann, conseguiu o seu primeiro papel de protagonista no clássico «film noir»
«Border Incident», em que interpreta um agente mexicano que, em parceria com outro norte-americano (George Murphy), investiga infiltrado a emigração ilegal de mexicanos para os EUA.

Os seus papéis tinham invariavelmente uma componente racial, muitas vezes como galã latino, mas também como índio norte-americano, em
«O Grande Combate» (1964), de John Ford, ou até mesmo como japonês, em
«Sayonara» (1960) de Joshua Logan.

Até essa altura, participou nos mais diversos filmes, como
«Battleground - A Grande Batalha» (1949) e
«Assim são os Fortes» (1951), ambos de William Wellman,
«A Noite de 23 de Maio» (1950) e
«Por um Amor» (1950), ambos de John Sturges,
«Duas Semanas de Amor» (1950), de Roy Rowland, ou
«Meu Amor Brasileiro» (1953), de Mervyn LeRoy.

A partir de meados dos anos 50, dedicou-se mais intensivamente à televisão, onde participou nalgumas das séries mais populares da época, como
«Wagon Train»,
«Bonanza»,
«Alfred Hitchcock Apresenta»,
«Os Intocáveis»,
«Dr. Kildare»,
«Wild Wild West» ou
«Missão Impossível».

Em 1967, interpretou o papel do maléfico Khan na primeira temporada da série
«Star Trek», que voltaria a encarnar no espectacular
«Star Trek II: A Ira de Khan» (1982), unanimemente considerado o melhor filme que se fez a partir da série criada por Gene Rodenberry. No final dos anos 50 também teve grande sucesso na Broadway com o musical
«Jamaica», em que cantava e contracenava com Lena Horne.

A sua produção até inícios dos anos 90 continuou intensíssima, com papéis secundários de luxo no cinema, como
«Sweet Charity» (1969), de Bob Fosse, ou
«Aonde é que Pára a Polícia?» (1989), de David Zucker, sem nunca deixar as prestações especiais no pequeno ecrã.

Entre 1978 e 1984, protagonizou a série de televisão pelo qual é mais reconhecido pelas gerações mais jovens:
«Ilha da Fantasia».

O seu papel era o do enigmático anfitrião, Mr. Rourke, que, acompanhado pelo diminuto Tattoo (o actor anão Hervé Villechaize), acolhia os convidados de cada episódio para uma estadia em que os seus mais mirabolantes sonhos se tornariam realidade, mas não sem antes o espectador e as personagens retirarem daí uma importante lição moral.

A abertura de cada episódio, que pode ser recordada
aqui, tornou-se muito célebre, não só pelo «De Plane! De Plane!» de Villechaize como também pelo sonoro «Welcome to Fantasy Island», de Montalban.

As últimas prestações de Ricardo Montalban no cinema foram como o avô da família Cortez, no segundo e terceiro filmes da saga
«Spy Kids», de Robert Rodriguez, antes de ter dado voz a uma personagem no filme de animação
«O Rapaz Formiga» (2005).

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