A HISTÓRIA: Hardin Scott e Tessa Young estão agora separados. Enquanto Hardin ganha hábitos pouco saudáveis, Tessa, armada de nova confiança, consegue o estágio dos seus sonhos na Editora Vance. Nesse estágio, ela chama a atenção do seu novo colega, Trevor, que é exatamente o tipo de homem com Tessa ambiciona estar. Ele é inteligente, divertido, bonito e responsável; no entanto, Tessa, não consegue esquecer Hardin. Ele é, afinal de contas, o amor da sua vida.

"After - Depois da Verdade": nos cinemas a 2 de setembro.


Crítica: Daniel Antero

Em cinco romances publicados originalmente online como "fan fiction", Anna Tod escreveu uma novela adolescente com sex-appeal, que vive a relação romântica, algo possessiva, entre o "bad boy" Hardin Scott, descrito fisicamente como o cantor Harry Styles, e a caloira Tessa Young.

O potencial de projeção fantasiosa, as descrições íntimas dos encontros entre Scott e Young e o rebuliço emocional, incoerente e apaixonado, tornaram este chamariz de emoções aliciante para as apaixonadas do antigo membro dos One Direction.

A primeira adaptação cinematográfica estreou em 2019 e foi um sucesso comercial. Suave e adocicado, embora não tenham faltado críticas vindas do seu próprio público, "After" parece ter preenchido os requisitos de romance amador feito por fãs e para fãs. O que é suficiente para termos agora "After - Depois da Verdade".

Se no primeiro filme a torrente de críticas destacava a falta de intensidade sexual, optando por jogar seguro e deixar a sensualidade implícita, nesta sequela o realizador Roger Kumble transforma a novela no que deseja o seu público-alvo: um "50 Sombras de Grey" para adolescentes, com uma narrativa saída de um daqueles livros antigos que se vendiam nas papelarias de nome Júlia, Bianca ou Sabrina, feitos para o escapismo veraneante, repletos de sexo, diálogos melosos e enredos confusos, absolutamente irrelevantes na construção de ardor ou sequer romance.

"After - Depois da Verdade" é um drama onde os problemas aparecem do nada, sem conseguirem agitar qualquer estado emocional, perdido entre o tédio e as eventuais guinadas no argumento que acabam por fazer rir. Aqui, todas as personagens são vulgarmente líricas, com atitudes indolentes e a viver traumas com memória curta e deixando as sensações primárias florescerem com a rebeldia ingénua de quem vive o "momento".

Só que tudo isto é um embelezamento emocional do seu cerne real: "After - Depois da Verdade" é alimentado pelo empoderamento de um "baby face" com problemas de adulto, que coitadinho, tem "daddy issues". A isso soma-se a ingenuidade de uma rapariga capaz, que brilha no seu exigente primeiro dia de trabalho, mas é altamente tolerante com os ocasionais surtos de violência do seu "namorado que não é namorado, mas depois acaba por ser, pois, não sei, talvez não seja, eles lá sabem".

Apesar de eficientemente feito para cativar o seu público-alvo, "After" é, "Depois da Verdade", apenas tóxico e sofrível.

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